Título: A classe comemora
Autor: Temóteo, Antonio; Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 27/03/2013, Economia, p. 8
A aprovação da PEC nº 66/2012 foi bastante comemorada pela categoria e por defensores dela ainda no plenário do Senado. A presidente da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Creuza Maria Oliveira, recebeu os cumprimentos das ministras da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Eleonora Menicucci de Oliveira, e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, além da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ). Creuza avaliou que essa mudança corrigirá abusos históricos cometidos contra esses profissionais. “Agora, tudo será feito de acordo com a lei, e vamos lutar para que a regulamentação seja concluída o mais rápido possível”, garantiu.
Fora do parlamento, Iracema Mendes, 45, também festejou a mudança no texto da Constituição Federal. Doméstica há 10 anos, ela, que trabalha em uma casa no Lago Norte, garante que sempre teve Carteira de Trabalho assinada e férias remuneradas. “Mas, agora, vou, finalmente, ter acesso a todos os demais direitos dos outros profissionais”, comemorou ela, que afirmou ter acompanhado diariamente o andamento da proposta. Para Iracema, os benefícios são a valorização da classe. “Muitas vezes, ficamos mais tempo na casa de famílias do que na nossa própria residência”, disse.
A jornada de Iracema começa às 7h e se encerra às 17h. Ela cozinha e fica à disposição de uma senhora de 88 anos. Uma outra doméstica faz os serviços de limpeza. De olho nos novos benefícios, Iracema diz que já conversou com a patroa sobre os direitos da PEC. “E ela garantiu que vou receber todos eles, conforme a aprovação da proposta, pois acha justo.”
Iracema dorme na casa em que trabalha de segunda a quinta-feira e nunca fez algum serviço além do horário estabelecido. Para ela, caso isso ocorra, não será um problema. “Conversando, chegaremos a um acordo”, comentou. Ao contrário do que defendem muitos especialistas, a profissional não acredita que a extensão dos direitos trabalhistas aos domésticos resulte em demissões. “Ninguém vai ficar desempregado. Vai ter sempre uma família querendo contratar o serviço de uma trabalhadora doméstica.” (AT)
"Muitas vezes, ficamos mais tempo na casa de famílias do que na nossa própria residência”
Iracema Mendes, trabalhadora doméstica