Título: Fichas sujas acompanham a posse
Autor: Correia, Karla; Kleber, Leandro
Fonte: Correio Braziliense, 04/04/2013, Política, p. 2
Símbolo da reconciliação do PR com o governo Dilma Rousseff, a posse do novo ministro dos Transportes, César Borges, foi brindada com a presença de políticos de diversas legendas com currículos marcados por denúncias e suspeitas de envolvimento em corrupção.
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 13 anos de prisão por peculato e formação de quadrilha, o deputado Natan Donadon (PMDB-RO) marcou presença na solenidade. O parlamentar recorreu da decisão do Supremo no último dia 25, o que afastou, ao menos por enquanto, a possibilidade de ser preso. Ele teve recurso semelhante negado pela Corte em dezembro do ano passado. Com a publicação do acórdão, em 18 de março, o deputado poderia se preso a qualquer momento. Mas com o novo recurso, mantém a liberdade enquanto o Supremo não se pronunciar e a decisão for publicada.
Donadon não foi o único "ficha suja" a prestigiar o evento. Obrigado a devolver US$ 22 milhões aos cofres da prefeitura de São Paulo pela Corte de Jersey (paraíso fiscal britânico), no ano passado, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) transitou com desenvoltura pela solenidade e fez questão de cumprimentar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com quem conversou animadamente antes de a cerimônia ser iniciada.
"Faxina ética" Afastado do Ministério dos Transportes em meio à "faxina ética" que marcou o primeiro ano do governo Dilma, o líder do PR no Senado, Alfredo Nascimento (AM), foi o primeiro da legenda citado na nominata lida pela presidente, no início da cerimônia, em um gesto de deferência da parte de Dilma. Outro defenestrado na mesma época, o ex-ministro de Cidades Mário Negromonte (PP-BA) também foi homenagear César Borges.
O novo titular da Esplanada saiu em defesa de Nascimento, colega de partido, e disse que a saída da pasta aconteceu em decorrência de um "turbilhão". Para Borges, não há qualquer tipo de constrangimento no retorno do PR ao governo. "Se você me apontar uma coisa que se provou contra Alfredo Nascimento... tem algum processo? Algo que vá contra a gestão (de Nascimento)?", questionou o ministro.