Título: Efeitos dos juros serão sentidos ano que vem
Autor: Lorenzi, Sabrina
Fonte: Jornal do Brasil, 11/09/2008, Economia, p. A20

A distribuição de renda e a oferta de empregos em alta tiveram um papel importante na elevação do Produto Interno Bruto (PIB) do país, com expansão de 6,1% no segundo trimestre do ano. A consideração soa unânime entre economistas para explicar o crescimento do consumo das famílias no país, de 1% ante o primeiro trimestre. Apesar da alta da taxa de juro (Selic), os reflexos sobre a contenção do consumo só devem ser sentidos em 2009. A medida atenderia às expectativas do governo para desacelerar a inflação.

¿ Os efeitos só devem começar no último trimestre deste ano e no primeiro de 2009. Na base da pirâmide, a população não está sensível à racionalidade economica do país, e pode se complicar com o acúmulo de dívidas com o crescimento do consumo ¿ alerta Gilberto Braga, professor de Finanças Pessoais e Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec).

A elevação dos gastos do governo com o período eleitoral contribuíram para o aumento da demanda e, consequentemente a do PIB.

Eleições X consumo

¿ Os gastos do governo tendem a puxar o consumo para cima ¿ explica Fernando Barbosa Filho, professor de Macroeconomia do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre).

Gilberto complementa e considera o momento atípico: ¿ Os gastos eram esperados neste período eleitoral, atípico. Porém, devem cair no terceiro e quarto trimestres. Os trens estão sendo colocados nos trilhos, mas não haverá alegria até a decisão do segundo turno ¿ brinca Braga, ao referir-se sobre a redução da demanda com o término das eleições, em novembro.

Os setores de indústria, serviços e comércio surpreenderam nos indicadores. O resultado foi impulsionado por mudanças recentes na regulamentação do setor, principalmente quanto à redução do custo de financiamento da construção civil, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

¿ O maior destaque é a construção civil, com um crescimento de quase 9,9%. A tendência é que cresça mais em 2009. A construção civil saiu do buraco ¿ considera a diretora de Desenvolvimento Econômico da Firjan, Luciana Sá, ao lembrar a crise no setor, de 1998 a 2004.

O bom desempenho do setor é avaliado como um reflexo da confiança do empresariado, segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão.

¿ É fruto do aumento da confiança do empresariado no futuro do país, e da priorização, por parte do governo, da construção como um dos pilares do desenvolvimento da economia ¿ avalia.