Título: PIB supera expectativas e sobe 6% no 1º semestre
Autor: Lorenzi, Sabrina
Fonte: Jornal do Brasil, 11/09/2008, Economia, p. A20
País cresce, impulsionado por investimentos e pelo ano eleitoral.
Nem a inflação que apertou o orçamento familiar, tampouco a concorrência dos produtos estrangeiros impediram a economia brasileira de crescer 6,1% no segundo trimestre. A expansão superou as projeções mais otimistas ¿ esperava-se cerca de 5% de aumento. Mas a taxa que mais surpreendeu, inclusive o próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio dos investimentos: a Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 16,2%, um recorde.
¿ Foi um crescimento bom, sustentado pelos investimentos, que refletiram obras públicas e importação de máquinas e equipamentos ¿ afirmou Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE. No primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6%. Para 2008 crescer 5%, a economia precisa de 4% no segundo semestre. E um crescimento de 4,5% exigiria apenas mais 3%. Os economistas esperam mais que isso, apesar da crença de que a alta da Selic vai esfriar um pouco o consumo das famílias no fim do ano. Enquanto o efeito dos juros não faz nem cócegas nas estatísticas, a demanda continua bem, obrigado.
Consumo
Carro-chefe do PIB, o consumo das famílias aumentou pelo décimo-nono trimestre consecutivo. E num ritmo acelerado, de 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Rebeca destacou que o consumo foi sustentado, apesar da recente mordida da inflação, pela massa salarial (que aumentou 8,1% no segundo trimestre) e pelo aumento do crédito (32,9%). Os gastos do governo em vésperas de eleições municipais também contribuíram para embalar a demanda do país, de acordo com o IBGE.
Para garantir a oferta em tempos de consumo e investimentos quase que chineses, todos os setores da economia expandiram a produção. A agropecuária foi o destaque, com aumento de 7,1%. Café (27,7%), milho (12,8%) e arroz (9,6%) foram os produtos que mais cresceram. Embalado sobretudo por bancos e operadoras de telefonia, o setor de serviços cresceu 5,5%. O grupo intermediação financeira e seguros, com aumento de 12,7%, ainda reflete o bom momento dos empréstimos. Serviços de informação, por sua vez, cresceram 9,7%, seguidos pelo comércio, que aumentou 8,9% o valor gerado. Transportes, administração, saúde e educação pública reforçaram o PIB.
Descontada a inflação, o valor gerado na economia no segundo trimestre foi de R$ 716 bilhões, um crescimento de 1,6% em relação aos três meses anteriores. O diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Sicsú, avalia que o PIB de 2008 vai superar o de 2007, de 5,4%.
No PIB industrial, que teve aumento de 5,7% no trimestre, a exploração de petróleo e minério de ferro contribuíram, bem como a geração de energia elétrica. A construção civil foi determinante. O aumento de 26,7% nas operações de crédito imobiliário, além de aumentar as estatísticas da indústria, engrossou a lista dos investimentos. A construção civil é forte demandante de bens de capitais, assim como a indústria e os agricultores.
A expansão continuada da Formação Bruta de Capital Fixo levou a taxa de investimento do país a passar de 17,5% do PIB para 18,7% do produto em um ano. Rebeca ressaltou que a Selic ainda estava menor e houve aumento de 41,3% no crédito para empresas. Sicsú, do Ipea, observa que os investimentos vêm crescendo há 15 trimestres, sempre numa proporção de duas a três mais que a taxa do PIB.
A taxa de poupança não foi afetada, apesar de tanto investimento, consumo de famílias e governo. Em compensação, porém, o país piorou nas contas externas. Além de ter consumido mais, o Brasil enviou mais lucros e dividendos ao exterior, o que reduziu a renda nacional bruta em R$ 4,3 bilhões. A renda disponível cresceu R$ 77 bilhões, mas não foi suficiente para sustentar a demanda. Com isso, a necessidade de financiamento do Brasil foi de R$ 14,9 bilhões no trimestre.