Título: Na volta, prioridade será mudar o rito das medidas provisórias
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Jornal do Brasil, 17/09/2008, País, p. A12

Sem se importar com os novos desgastes ¿ que faz questão de negar publicamente ¿ o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), quer mesmo garantir a votação, depois das eleições municipais de outubro, das mudanças na tramitação das medidas provisórias. É com esta proposta que o petista quer marcar seu mandato. Mas o caminho não é fácil. O texto não conta com a total simpatia da oposição e há ainda outras matérias que podem roubar a atenção do plenário.

Na volta ao trabalho depois do recesso branco de quatro semanas, os deputados precisam analisar outros temas polêmicos como a reforma tributária e a criação da Contribuição Social à Saude (CSS), novo imposto nos moldes da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Ontem, Chinaglia reforçou a importância das alterações no sistema tributário nacional diante da crise econômica do mercado nos Estados Unidos.

Chinaglia classificou a reforma como uma blindagem ao Brasil frente ao momento de instabilidade mundial.

- Eu acho que a reforma é um bem para o Brasil e espero que os ministros deixem o presidente Lula trabalhar sem medidas provisórias porque as MP"s podem impedir a votação da reforma tributária este ano como já impediram no primeiro semestre - afirmou o presidente da Câmara.

Outro empecilho para Chinaglia é que os parlamentares se preparam ainda para entrar nas discussões sobre a exploração da camada pré-sal descoberta na costa brasileira. No Congresso e no governo a intenção é impulsionar as discussões especialmente o novo marco regulatório do petróleo para evitar que os debates ganhem contornos políticos com a proximidade das eleições de 2010. (M. F.)