Título: Mais de 900 milhões de pessoas passam fome
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/09/2008, Internacional, p. A23
A alta no preço dos alimentos aumentou bastante o número de pessoas que passam fome no mundo, alertou ontem em Roma o diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Jacques Diouf.
¿ O número de pessoas subnutridas antes da alta dos preços de 2007-2008 era de 850 milhões. Este número aumentou durante 2007 em 75 milhões, alcançando os 925 milhões ¿ disse, antecipando números de um relatório que será divulgado hoje.
O índice FAO dos preços dos alimentos teve aumento de 12% em 2006 em relação ao ano anterior, de 24%, em 2007, e de 50%, durante os sete primeiros meses deste ano.
¿ É preciso investir US$ 30 bilhões por ano para duplicar a produção de alimentos e acabar com a fome ¿ recomendou Diouf.
Segundo o diretor-geral da FAO, mesmo que a produção de cereais no mundo melhore, os preços se manterão estáveis nos próximos anos e a crise dos alimentos se prolongará nos países pobres.
Os países membros da FAO se comprometeram durante a cúpula no início de junho em Roma a reduzir pela metade o número de pessoas que sofrem de fome até 2015, apesar da crise de alimentos. A declaração final, obtida após árduas negociações, reitera as conclusões das cúpulas sobre alimentação de 1996 e 2002: alcançar a segurança alimentar e reduzir à metade o número de pessoas subnutridas até 2015, no máximo.
Diouf advertiu que se a tendência observada hoje se mantiver, "esta meta seria alcançada em 2150 e não em 2015".
Na cúpula de Roma, os doadores se comprometeram a conceder mais de US$ 6,5 bilhões para a luta contra a fome e a pobreza.
Na semana que vem, líderes mundiais vão às Nações Unidas para revisar uma avaliação mais atualizada dos progressos no cumprimento das Metas do Milênio ¿ oito medidas de desenvolvimento social e econômico. Entre elas, estão o combate à fome e à pobreza, acesso universal à educação e a luta contra a epidemia de Aids.
No entanto, a lentidão dos países mais ricos em liberar recursos financeiros para os programas de desenvolvimento das nações mais pobres é um dos fatores que atrasam o sucesso das metas.