Título: Hospitais reservam alas para presos
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 26/01/2005, Brasília, p. D3

Medida tenta evitar improvisação no atendimento e garantir mais segurança tanto a funcionários quanto a pacientes

Duas alas do Hospital de Base de Brasília (HBB) e duas do Hospital Regional do Paranoá (HRP) atenderão, exclusivamente, a comunidade carcerária do DF. A medida visa evitar o atendimento improvisado enfrentado por presidiários sempre que necessitam atendimento hospitalar, dar mais segurança a funcionários e pacientes e poupar pacientes comuns de transtornos, uma vez que são preteridos em relação aos encarcerados. O secretário de Saúde, Arnaldo Bernadino, anunciou a criação das alas especiais no HBB ontem. Vão funcionar no 10º andar e estarão prontas até o final do ano. Caso precisem passar por uma cirurgia, é lá que os presidiários serão atendidos.

- Estamos aproveitando a reforma do HBB para adequar as alas - disse Bernadino.

No caso do HRP, ainda não há previsão para que as enfermarias possam receber os prisioneiros. O secretário explicou que a Secretaria de Segurança Pública avaliará o local e ditará as medidas a serem adotadas. A adequação será realizada com recursos do GDF. Tanto no HBB como no HRP é necessário implantar portas ou grades e outros mecanismos de segurança.

De acordo com as explicações de Bernadino, atendimento a presidiários é sinônimo de transtornos para pacientes e para profissionais de saúde. Os presos precisam ser atendidos logo que chegam no hospital, deixando para trás usuários que há muito esperavam na fila.

O transtorno pior é quando os presidiários precisam ser internados ou submetidos a cirurgias. Os médicos são obrigados a improvisar, a esvaziar enfermarias ou improvisar outros espaços, uma vez que os presidiários não podem ter longos contatos com pacientes comuns - é uma norma de segurança. Outro agravante, disse Bernadino, é representado pelas escoltas dos presos. Muitas vezes o doente tem que ficar isolado. No caso dos presos, é comum eles estarem acompanhados por três ou quatro policiais. Atualmente, a rede hospitalar do DF atende à média de dois presos por semana.