Título: Investimentos nas empresas podem ser adiados
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 07/10/2008, Tema do Dia, p. A2

O diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Geraldo Langoni, disse ontem que além do aperto de crédito, a crise mundial pode afetar os planos de investimentos das empresas nacionais.

¿ Decisões de investimentos, principalmente novos planos, novos projetos podem ser paralisados ou adiados ¿ acredita Langoni.

De acordo com ele, há uma histeria de curto prazo, mas o mês de setembro será decisivo para saber realmente como o Brasil está sentindo os efeitos da recessão americana.

¿ Acredito que na próxima reunião do Copom, o BC vai reduzir a dosagem da elevação dos juros. É uma decisão muito difícil porque não temos dados claros da atividade econômica do mês de setembro, mas depois de ter esses dados nas mãos, o BC vai decidir se é hora de interromper o ciclo de aperto ou não ¿ disse Langoni.

Câmbio

Para o coordenador do Índice Geral de Preços (IBRE) da FGV, Salomão Quadros, o efeito da crise vai depender do comportamento do câmbio.

¿ O câmbio tem condição de voltar a patamares menores, pois toda vez que há crise, é normal acontecer um overshooting. Portanto acredito que ele tem condição de voltar ao normal ¿ acredita Quadros.

O economista-chefe do Banco Santander, Alexandre Schwartsman, disse que a reação mundial com a aprovação do pacote de ajuda às instituições financeiras americanas não foi muito boa.

¿ O mundo se deu conta de que a gente caminha para uma recessão de grandes proporções, na qual a política econômica monetária vai ter um papel reduzido ¿ ressalta Schwartsman.

De acordo com o economista ainda não dá para saber os efeitos da crise no Brasil, mas, o preço das commodities será o principal canal da recessão aqui.

¿ A crise das commodities acaba reduzindo a capacidade de crescimento da demanda doméstica. À medida que o preço das exportações brasileiras cai, a aptidão de importar mais também se reduz e com isso é necessário reduzir a demanda doméstica. De fato, a perspectiva de crescimento está ficando pior ¿ ressalta o economista.