Título: Brasil: polícia criticada
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/03/2005, Internacional, p. A9

No relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo, o Departamento de Estado dos EUA criticou o Brasil, apontando que o envolvimento de policiais com o crime foi generalizado no ano passado.

''A polícia esteve envolvida em seqüestros por dinheiro'', indica o documento, que se refere às instituições militar e civil. O relatório, enviado ao Congresso americano, faz referência ainda a ''execuções ilegais realizadas por policiais'' em todo o país e indica que a tortura continua sendo um problema grave.

O estudo chega a elogiar o governo federal em termos gerais, mas alerta que há problemas no âmbito estadual.

Em relação à América do Sul como um todo, o relatório afirma que não houve assassinatos, desaparecimentos ou torturas por motivos políticos em 2004, mas denuncia que policiais e agentes carcerários usaram a força em excesso.

Sobre a Argentina, foram citados relatórios de grupos defensores de direitos humanos, segundo os quais houve entre 130 e 140 mortes atribuíveis ao uso excessivo da força por parte de policiais e agentes carcerários.

Em relação ao Chile, o documento aponta que ativistas contabilizaram relatos isolados de abusos por parte de policiais, mas indica que poucos acabaram em condenações judiciais. O texto cita ainda a violência doméstica como um problema grave.

No caso do Paraguai, o Departamento de Estado afirma que grupos de direitos humanos relataram ''vários casos de tortura policial e outros tratamentos abusivos, inclusive contra mulheres e crianças, com o objetivo de obter confissões, punir tentativas de fuga e intimidar os detidos''.

Referindo-se ao Uruguai, o documento indica que as condições nas prisões do país pioraram no ano passado, ''quando houve vários relatos de abuso contra presos''.

''Os detentos foram constantemente agredidos, e a alimentação, as camas, as roupas e a assistência médica são de má qualidade'', detalha, acrescentando ainda que o país é fonte de recrutamento de mulheres para o tráfico e para a prostituição.

O governo da Venezuela - país acusado de retrocesso em relação às liberdades civis - rebateu as críticas.

- O governo que mais viola hoje os direitos humanos, em seu próprio país e no mundo, é o dos EUA, através do assassinato de milhares de crianças, mulheres e idosos - atacou o vice-presidente José Rangel.