Título: Torre de celular correta
Autor: Guilherme Queiroz
Fonte: Jornal do Brasil, 26/01/2005, Brasília, p. D5
Claro é a primeira a atender as exigências do MP
O embate sobre as torres de telefonia celular, travado pelo Ministério Público do DF e as operadoras durante todo o ano passado, deve ter o primeiro capítulo de trégua. A primeira Estação Rádio Base (ERB) - nome técnico das antenas - adequada às regras do tombamento de Brasília já está em construção, entre as quadras 703 e 704 Norte. A estrutura, que deve ficar pronta em abril, será a única entre as 37 ERBs instaladas no Plano Piloto dentro dos parâmetros recomendados pelo MP. A nova torre substituirá a ERB hoje erguida em uma escola pública da 304 Norte, há três anos combatida por moradores da quadra. Em junho do ano passado, o Ministério Público expediu recomendação ao GDF para que fossem retiradas todas as ERBs instaladas a menos de 30 metros de escolas e hospitais. A Claro, operadora responsável pela estrutura, justificou em nota enviada ao JB que a escolha pelo novo endereço tem motivos técnicos, ''decorrentes da implantação da rede GSM''.
- A antena tem a autorização do GDF e atende às normas definidas para as ERBs - atesta o chefe de gabinete da Administração Regional de Brasília, Renato Castelo.
As negociações para a instalação da nova ERB começaram em junho de 2003. Segundo Castelo, os moradores pediram a Claro que fizesse a urbanização da praça que divide as quadras - local onde será instalada a torre - como contrapartida para a construção da antena. A prefeita da 704 Norte, Satiko Cunha, esclarece que a área está abandonada e que a falta de iluminação pública serve de atrativo para mendigos e para o tráfico de drogas.
- Estamos aqui há 40 anos e se depender do governo não vai haver melhora. Concordamos desde de que houvesse a contrapartida - explica a prefeita.
Segundo Satiko, entretanto, os moradores têm sentido dificuldades em dialogar com a Claro. Ela teme que as negociações feitas com a empresa, que garantiu às prefeituras comunitárias e à Administração Regional de Brasília, a urbanização da praça, não seja cumprida conforme prometido. Caso isso ocorra, os moradores prometem começar a fazer oposição à instalação da torre. Cogitam também, ''leiloar'' o local para outras operadoras.
- Muitos moradores temem desenvolver problemas de saúde por causa da torre. E apenas 51% dos nós concordaram com a instalação, o que não é muita gente - avalia Satiko.
Moradores como Francisco Ferreira e Taizy de Oliveira também estão preocupados com o que chamam de ''falta de transparência'' da Claro sobre as obras prometidas. Eles cobram da empresa a apresentação do cronograma da obra e dos planos para a urbanização da praça. A Claro não comentou o assunto.
- Nos sentimos traídos e vamos cobrar o que foi prometido desde o início - afirma Taisy.