Título: Lula: situação não exige atitudes extremas
Autor: Aliski, Ayr
Fonte: Jornal do Brasil, 14/10/2008, Economia, p. A20
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem não acreditar que a crise dos mercados financeiros atinja a economia brasileira e exija atitudes radicais.
¿ Não existe nada que leve a gente a acreditar que o Brasil deva tomar medidas drásticas ¿ diz o presidente na Espanha.
Lula criticou a "economia especulatória" e disse que "a crise nasceu nos países ricos e quem está mais tranqüilo neste momento são os países emergentes".
O presidente afirmou que o governo brasileiro não tem intenção de bloquear ou adiar nenhum dos projetos de infra-estrutura em razão da crise.
¿ Não vamos paralisar nenhuma das obras de infra-estrutura no Brasil. Não vamos mexer em obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Não podemos trabalhar com boatos¿ afirma. ¿ O Brasil vai continuar exportando, nossa economia vai continuar crescendo e a crise pode chegar a qualquer país do mundo, mas se chegar ao Brasil, vamos trabalhar para não causar transtorno.
Lula disse ter consciência de não haver superávit comercial nos próximos semestres. Disse que o Brasil não deve temer a falta de alimentos ou aumento abusivo de preços.
¿ Imagine se os Estados Unidos ou a Europa retiram suas tarifas alfandegárias nessa crise? Podemos ficar mais competitivos ¿ brinca, destacando que o BC está preparado para qualquer emergência.
Menos quase US$ 3,5 bi
A alta do dólar obrigou o Banco Central a gastar entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões das reservas internacionais na semana passada para segurar a desvalorização do real. A revelação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega. No dia 8 de outubro, o dólar chegou a R$ 2,45 e obrigou o BC a queimar parte das reservas internacionais para acalmar o mercado. Pela primeira vez, desde o dia 13 de fevereiro de 2003, o BC realizou um leilão e vendeu parte do dinheiro que tinha em caixa.
Nos leilões anteriores, o BC vendia a moeda com um compromisso de recompra. Isso funcionava como um empréstimo e não afetava as reservas. Somente naquele dia, foram realizados três leilões. Foram realizados leilões desse tipo nos dois dias seguintes.
Segundo o BC, na sexta-feira, as reservas estavam em US$ 204,88 bi. Na véspera, as reservas estavam em US$ 206,33. Houve uma redução de US$ 1,45 bilhão. Há uma semana, as reservas chegaram a US$ 208,4 bilhões, mas recuaram devido a fatores como a desvalorização dos ativos nos quais as reservas estavam aplicadas.