Título: Desequilíbrio é bem maior que há 30 anos
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/10/2008, Vida, p. A24

O relatório encontrou um grande desequilíbrio na saúde em relação ao acesso a cuidados e a quanto as pessoas têm de pagar por tratamento no mundo. E concluiu que, hoje, as diferenças são "mais gritantes" que há 30 anos.

Como exemplo, o documento cita que a diferença na expectativa de vida dos cidadãos de países pobres e ricos é maior do que 40 anos e que os gastos públicos em saúde variam de apenas US$ 20 por pessoa para mais de US$ 6 mil.

Das estimadas 136 milhões de mulheres que irão dar à luz este anos, cerca de 58 milhões não receberão qualquer assistência médica durante e depois do parto ¿ potencialmente colocando suas vidas em risco.

O relatório levantou também que para 5,6 milhões de pessoas de países de baixa e média renda, mais da metade de toda a despesa no tratamento de saúde sai do seu bolso, o que leva muitos para uma situação abaixo da linha da pobreza.

Um grande exemplo de desigualdade está em Nairóbi, no Quênia. A taxa de mortalidade de menores de cinco anos de idade é inferior a 15 para mil crianças na área de renda alta. Numa favela na mesma cidade, a taxa é de 254 por mil.

A OMS adverte que os cuidados de saúde focam na tecnologia e em tratamentos especializados, em vez de dar mais prioridade aos especialistas dos cuidados primários, como os médicos gerais, o era que seria mais produtivo, principalmente se eles focassem na medicina de prevenção. A organização estima que o melhor uso dos meios preventivos existentes poderia reduzir a carga global de morbidade em até 70%.

No documento, Portugal é classificado como um dos cinco países do mundo que "mais notáveis progressos" fizeram na "redução da taxa de mortalidade", designadamente "para menos de um quinto nas últimas três décadas".

"Em cada região, exceto na África, há países onde a taxa de mortalidade desceu para menos de um quinto do que era há três décadas. Os mais notáveis exemplos são o Chile, Malásia, Portugal, Tailândia e Omã", referiu a OMS.

A única maneira de se lidar com estas desigualdades, diz a OMS, é através do regresso aos testados e comprovados aspectos básicos dos cuidados primários de saúde.