Título: Conselho político comemora os resultados
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Jornal do Brasil, 18/10/2008, País, p. A4
A calmaria aparente na gigantesca base aliada ¿ ao contrário do que muitos apostavam ¿ é atribuída, no Palácio do Planalto, à estratégia traçada no início das eleições que evitou uma peregrinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva país a fora. Especialmente, nos locais em que dois ou mais candidatos aliados lutassem para comandar um município.
Com a medida, o presidente evitou locais críticos como Porto Alegre, Salvador, Manaus e Belo Horizonte. Quase em todas as ocasiões para evitar um choque contra os candidatos peemedebistas.
Mas o cenário poderia ter sido diferente. Em janeiro, o presidente reuniu a cúpula do governo e pediu para viajar. Cobrou visitas a obras de universidades, escolas técnicas, redes de esgoto e conjuntos de casas populares. O pedido foi atendido, mas os conselheiros mais próximos do presidente chegaram, por várias vezes, a mudar o roteiro.
Na lista de articuladores estão o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS) e os deputados Antonio Palocci (PT) e Eunício de Oliveira (PMDB-CE).
Multa em 2004
O primeiro argumento utilizado pelos conselheiros políticos para segurar Lula em Brasília saiu do pleito de 2004, quando o presidente foi multado por pedir votos para a então prefeita e candidata à reeleição Marta Suplicy. Outro ponto de convencimento utilizado pelos conselheiros foi de que a presença em uma campanha específica que saísse derrotada das urnas poderia arranhar a imagem pessoal do presidente e criar algum desgaste para a avaliação do governo.
¿ O presidente teve uma participação especial nesta campanha ¿ avalia Fontana. ¿ Foi uma participação equilibrada e que, sem dúvida, evitou atritos. (M. F.)