O Estado de São Paulo, n.46374, 05/10/2020. Internacional, p.A11

 

Vantagem de Biden se amplia, diz pesquisa

05/10/2020

 

 

Democrata agora tem 10 pontos sobre o presidente Trump, segundo 'Reuters'/ipsos

WASHINGTON

O candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, abriu sua maior vantagem em um mês na corrida presidencial dos EUA depois que o presidente Donald Trump testou positivo para a covid-19, segundo pesquisa Reuters/ipsos, realizada pela internet entre sextafeira e sábado e divulgada ontem. Agora Biden tem 10 pontos porcentuais de vantagem sobre Trump – antes ele tinha uma média de 7 pontos.

Mas, para ganhar a presidência, um candidato deve prevalecer em Estados suficientes para ganhar o colégio eleitoral, e as pesquisas estaduais mostram que Trump é quase tão popular quanto Biden nos Estados-chave do campo de batalha.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, os americanos também apoiam amplamente a redução da corrida presidencial de 2020 para garantir a segurança de todos – 67% querem interromper os comícios de campanha pessoais e 59% acham que os debates presidenciais devem ser adiados até que Trump se recupere do coronavírus. Todas as pesquisas têm sido feitas por internet ou por telefone. Não estava claro até ontem como o diagnóstico de Trump vai afetar o segundo debate presidencial, que está agendado para o dia 15.

O primeiro debate vice-presidencial entre a democrata Kamala Harris e o republicano Mike Pence, testado negativo para o novo coronavírus, está agendado para quinta-feira.

As pesquisas também mostram uma vantagem de vários candidatos democratas ao Senado, de modo que os analistas se inclinam, embora com cautela, a uma eventual vitória de Biden e de uma maioria do Partido Democrata na Câmara Alta.

"Os democratas no controle da Câmara, do Senado e da Casa Branca produziriam uma das maiores mudanças de política, mas, se os republicanos mantiverem a Casa Branca ou o Senado, esperamos poucas novas políticas federais, fiscais ou outras", disse JP Morgan em uma nota.

Se os democratas conseguirem o controle da Casa Branca e do Congresso, a Moody's prevê que o pleno emprego poderá retornar no segundo trimestre de 2022. E se os republicanos obtiverem esse controle, isso ocorrerá apenas no início de 2024.

Os analistas, porém, estimam que nenhum partido provavelmente conquistará o controle de ambos os poderes, de modo que os EUA voltariam ao pleno emprego em 2023.

Mark Zandi e Bernard Yaros, economistas da Moody's Analytics, dizem que plataformas econômicas dos dois candidatos parecem beneficiar setores diferentes.

As propostas de Biden visam os pobres e a classe média, que manteriam praticamente a mesma carga tributária, mas seriam beneficiados pelo aumento dos gastos públicos com educação, saúde, habitação e outras políticas sociais, segundo Zandi e Yaros.

Trump, entretanto, provavelmente cortaria mais impostos, o que beneficiaria muito "as famílias e empresas de alta renda, enquanto os gastos do governo com saúde e uma variedade de programas sociais seriam reduzidos".

Coronavírus. A maioria da população americana continua profundamente preocupada com o novo coronavírus e acredita que o presidente Trump não teria contraído o vírus se tivesse levado a doença a sério. Segundo a pesquisa Reuters/ipsos, para 65% dos entrevistados, incluindo 9 em cada 10 democratas registrados e 5 em 10 republicanos registrados, Trump provavelmente não teria sido contaminado se tivesse levado a doença mais a sério. Avaliados somente os republicanos, a opinião ficou dividida, com 5 em cada 10 afirmando que o presidente não estaria doente se tivesse dado mais atenção à pandemia.

Somente 34% dos americanos acham que o presidente está dizendo a verdade sobre o novo coronavírus, enquanto 55% disseram que não e 11% não tinham certeza. Dos entrevistados, 57% dos americanos disseram que desaprovam a resposta de Trump à pandemia, cerca de 3 pontos acima da semana passada. / REUTERS

Pandemia

57%

dos americanos desaprovam como Trump lida com a pandemia

65%

acham que ele não teria adoecido se tivesse levado doença a sério