Correio braziliense, n. 21045, 06/01/2021. Brasil, p. 4
Pazuello apresenta datas para aplicação
06/01/2021
O Ministério da Saúde publicou, ontem, um vídeo do ministro Eduardo Pazuello no qual apresenta três possíveis períodos para que o plano de vacinação contra a covid-19 comece. Conforme disse, são três as possibilidades de datas: na melhor hipótese, até o dia 20 de janeiro; num prazo médio, entre 20 de janeiro a 10 de fevereiro; e no pior prazo, entre 10 de fevereiro a 1º de março. Ao lançar o programa de imunização, em dezembro passado, Pazuello anunciou que o início estava previsto para fevereiro, sendo que, antes, ele havia falado em janeiro e em março.
No mundo, 44 países iniciaram a imunização contra a covid-19, totalizando 14,55 milhões de doses aplicadas até ontem, segundo levantamento do Our World in Data. Quase 90% das nações empregam a vacina da Pfizer-BioNTech, que realizou estudos em brasileiros, mas não firmou contrato com o governo federal — existe a expectativa de adquirir 70 milhões de doses deste imunizante, mas a farmacêutica não entrou com registro e o Ministério da Saúde não firmou contrato.
"A questão é de estratégia de mercado. As empresas querem vender e, por enquanto, não faltam compradores. Tentar entrar em um mercado em que o presidente, publicamente, hostiliza a vacinação, politizando o tema, é mais arriscado, pois pode resultar em represálias e desgaste da marca. Nesse sentido, eles estão preferindo buscar mercados com menor risco", explica o epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) Jonas Brant.
Insegurança
Por causa disso é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não recebeu nenhum pedido de uso emergencial ou de registro definitivo. "Qual seria o motivo das indústrias entrarem com os pedidos se não há nenhum contrato para compra de vacina?", indaga a infectologista Raquel Stucchi, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Unicamp. "Além disso, percebemos, de forma cada vez mais clara, o movimento que dificulta o início da vacinação no país, principalmente, quando o presidente fala que é desnecessária".
Para Raquel, um correto direcionamento pelo governo federal teria trazido ao país a vacinação, incluindo os insumos. "Já se sabia que seria necessário a utilização de seringas e agulhas, e isso era para estar sanado. Deveríamos, agora, estar com a programação, processo educativo da sociedade para que se possa ter uma adesão grande à vacina. Estamos falhando em todos os quesitos", frisa Raquel.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estima que o pedido de registro da vacina, que permitirá a comercialização e a distribuição em massa das doses, deve ser protocolado em 15 de janeiro. O plano é entregar 110,4 milhões de doses ainda no primeiro semestre para serem incorporadas ao Programa Nacional de Imunização (PNI).
Já o Instituto Butantan planeja produzir um milhão de doses diárias da CoronaVac, vacina que desenvolve em parceria com o laboratório Sinovac. As negociações junto ao Ministério da Saúde visam a entrega de 100 milhões de doses ainda no primeiro semestre, mas o contrato não está fechado. (BL e ST)
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Estoque excedente de injeções será confiscado
06/01/2021
O Ministério da Saúde resolveu, ontem, confiscar os estoques excedentes de agulhas e seringas de fabricantes brasileiros para serem usadas na vacinação contra a covid-19. Sob a justificativa de uma "requisição administrativa", a decisão da pasta dá-se depois do fracasso no pregão, aberto no fim do ano passado, para obter 331 milhões de unidades do material para injetar os medicamentos, mas conseguiu apenas 7,9 milhões. A intenção é garantir os produtos para o início da imunização, que ainda não tem data para começar.
A decisão será imposta aos fabricantes representados pela Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo). Segundo o ministério, o confisco se dá "enquanto não se conclui o processo licitatório normal, que será realizado o mais breve possível". "Essa requisição visa a atender às necessidades mais prementes para iniciar o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a covid-19", informou o ministério.
Na busca de garantir as injeções, o governo federal restringiu a exportação de seringas e agulhas, conforme portaria publicada no dia 31 de dezembro de 2020 pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério da Economia. Agora, a exportação de unidades exige uma "licença especial de exportação de produtos para o combate à covid-19".
Em relação à importação, está em estudo a intenção de zerar o imposto incidente sobre agulhas e seringas. Mas o Ministério da Economia ainda não decidiu. (ST)