Título: Prédio ocupado por sem-teto é um problema
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Jornal do Brasil, 31/10/2008, Tema do Dia, p. A4

Um dos obstáculos para a revitalização da Zona Portuária é a ocupação de alguns prédios do governo federal por famílias sem-teto. Ontem, o Jornal do Brasil flagrou a ocupação de um edifício próximo à sede da Polícia Federal.

Uma moradora de 58 anos, que pediu para não ser identificada, contou que mora no local há quatro anos com a filha e os netos.

¿ Vim da Baixada, assim como muitos. Foi lá que eu soube que poderia morar aqui. A gente não paga nada. Não tenho condições de pagar aluguel ¿ contou, ao informar que trabalhava como doméstica e, hoje, por problemas de saúde, vive com a ajuda da filha.

Assustada com a abordagem, a senhora, de mãos dadas com uma criança, esquivou-se quando questionada sobre convivência entre os moradores:

¿ Aqui é muito esquisito. Mas deixa para lá. É organizado, hoje mesmo vai ter reunião ¿ contou, sem falar nenhuma palavra mais.

Quartos sem banheiro

Durante cinco minutos, foi possível observar grande movimentação no prédio. Um adolescente de 14 anos, vindo da Região Oceânica de Niterói com a família, explicou melhor como funciona o imóvel.

¿ Aqui não é apartamento. São quartos, e os banheiros são comunitários, cada andar tem um. A gente só paga quando quebra um cano, ou a luz apresenta defeito. Nesse caso, cada pessoa paga R$ 10 para ajudar no conserto ¿ disse o estudante do ensino médio e morador do local há três anos.

Em 90 dias, as propostas feitas por Eduardo Paes serão cobradas por uma comissão da Associação de Moradores e Amigos da Gamboa (Amaga), do lugar.

¿ Durante 50 anos, os três governos abandonaram as regiões da Gamboa, Saúde e Santo Cristo, o que gerou a desvalorização. Há oito anos, a Amaga busca meios de revitalizar essa área. Precisamos de um projeto sério e consciente com a participação das representações locais. Vamos procurar o novo prefeito para exigir os projetos de esporte, cultura e revitalização ¿ afirma o diretor de comunicação e projetos da entidade, Gabriel Catarino Rodrigues.