Título: Locomotiva do minério desacelera
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/11/2008, Tema do Dia, p. A2

A Vale anunciou ontem a interrupção da produção de minério de ferro e de outros produtos em algumas unidades no Brasil, com volume que equivale a aproximadamente 10% de sua produção total. A companhia também suspendeu a produção em algumas unidades fora do Brasil, devido à queda na demanda por minérios e alguns tipos de metais em várias partes do mundo. A maior redução será na produção do minério de ferro.

"A indústria siderúrgica em diversas regiões do mundo vem anunciando significativos cortes de produção, estimados em aproximadamente 20% da produção global em 2007, e com implementação imediata. Tendo em vista que a única utilização do minério de ferro é na fabricação do aço, sua demanda sofreu direta e imediatamente o efeito da retração da produção siderúrgica", informou a Companhia em comunicado.

Com isso, a empresa planeja reduzir a produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, o que a faria voltar ao nível de produção que tinha no início do mês de setembro ¿ quando explodiu a crise financeira causada pelos créditos imobiliários de alto risco (subprime).

"Para isso, paralisaremos a partir do dia 1º de novembro de 2008 as atividades de algumas minas, produtoras de minérios de menor qualidade, localizadas nos Sistema Sul e Sudeste, no Estado de Minas Gerais. Estas unidades apresentam maior custo e produzem minérios de qualidade inferior relativamente aos demais produzidos pela Vale", comunicou a empresa. Devido à desativação, os funcionários dessas minas entrarão em férias coletivas.

Além disso, duas fábricas de produção de pelotas, representando cerca de 20% da capacidade de produção da Vale, vão parar para serviços de manutenção a partir do próximo mês. Por tabela, outras atividades também sofrerão cortes.

A produção de minério de manganês e ferro no Brasil estarão paralisadas entre dezembro deste ano e janeiro de 2009. A produtora de alumínio Valesul, que fica no Rio de Janeiro, também terá sua atividade limitada a 40% de sua capacidade nominal, de 95 mil toneladas métricas anuais.

Por fim, a produção de caulim pela subsidiária Cadam, que fica no Amapá, será reduzida em 30% da capacidade total. No exterior, sofrerão reduções de produção atividades localizadas na França, Noruega, China e Indonésia.

"Na França, a usina de ferro de Dunquerque permanecerá desativada até abril próximo, enquanto que na Noruega, na usina de Mo I Rana, a parada para a reforma de um forno se estenderá até junho", informa o comunicado. "Na Indonésia, estamos deixando de usar energia de geração termoelétrica e de custo mais elevado, o que levará a corte na produção de níquel da ordem de 20%, representando 17 mil toneladas métricas. Adicionalmente, a refinaria de níquel em Dalian, na China, se manterá operando com 35% de sua capacidade nominal de 60 mil toneladas métricas anuais.

Durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a Vale rejeitou reduções de produção nas usinas do Brasil e outros países. As únicas menções feitas a respeito do assunto foram sobre as atividades na Indonésia e na China, que mereceram destaque no comunicado de ontem.

Confiança no futuro

Apesar dos cortes, a Vale garantiu que o plano de investimentos anunciado em meados de outubro será mantido "dada sua confiança nos fundamentos de longo prazo dos mercados de minérios e metais (...), o que certamente contribuirá para a geração de milhares de empregos no futuro".

¿ O momento é de priorizar caixa, reduzir produção, fazer o dever de casa e as manutenções necessárias. É um período limitado ¿ adiantou Agnelli no Rio.