Título: Montadoras prevêem mais recursos de estatais
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/11/2008, Tema do Dia, p. A5
Após reunião com o governo ontem, a indústria automotiva passou a prever uma maior atuação dos bancos estatais na oferta de financiamento à venda de veículos novos e usados para o consumidor final.
O setor também espera que o aperto na liquidez, provocado pela crise, deve começar a ser solucionado a partir da semana que vem ¿ com a efetividade das medidas recentes que alteraram os depósitos compulsórios por parte dos bancos e liberaram recursos para a economia real.
¿ Os bancos públicos podem liberar recursos no sentido de passarem a financiar mais ativamente esse mercado, passarem a trabalhar com bancos que já trabalham historicamente nesse mercado ¿ disse Jackson Schneider, presidente da Anfavea, associação que reúne as montadoras de veículos. O executivo esteve reunido com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e com presidentes das principais montadoras.
¿ Alguma coisa começa a ter efeito em relação aos compulsórios que foram liberados para a economia em geral. A gente espera que algum efeito comece a acontecer já na semana que vem ¿ acrescentou Schneider. Ele mencionou a atuação de instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Nossa Caixa, do governo de São Paulo. E afastou a possibilidade dessas instituições adquirirem as carteiras dos bancos das montadoras, preferindo destacar a atução direta desses bancos. Cerca de 70% do comércio de automóveis é realizado por meio de financiamento.
O presidente da Anfavea afirmou ainda que as vendas tiveram uma redução em outubro, a primeira do ano. Ele não forneceu números, mas disse que verá "esta queda em outubro". Em relação às férias coletivas anunciadas pela General Motors em três unidades de produção, o executivo disse que se trata do impacto da redução das vendas externas, o que exige adequação da oferta.
A GM anunciou férias coletivas em novembro para mais de 10 mil trabalhadores nas fábricas de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS). Nesta tarde, comunicou a paralisação temporária na unidade de São José dos Campos (SP).
Até setembro, a indústria automotiva não sentia os efeitos da crise. Naquele mês, houve crescimento de 9,8% nas vendas internas de veículos novos em relação a agosto e 31,7% na comparação com o mesmo mês de 2007. No ano, até setembro, as vendas têm alta de 27%, a 2,21 milhões de unidades.