Título: Cúpula Ibero-Americana quer reunião da ONU
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Fonte: Jornal do Brasil, 01/11/2008, Tema do Dia, p. A5

Os chefes de Estado da Cúpula Ibero-Americana pedirão à Organização das Nações Unidas (ONU) que convoque, com urgência, uma reunião para debater a crise financeira mundial. Em um dos 14 comunicados especiais aprovados durante o encontro, os representantes de 22 países tratam sobre da situação econômica mundial e destacam a importância de uma discussão "universal, democrática e eqüitativa" sobre o tema.

No documento, os governantes da América Latina, Espanha e Portugal, que encerraram ontem a cúpula de dois dias, marcada pela turbulência nos mercados, afirmam que a comunidade ibero-americana se encontra em melhores condições para enfrentar o problema econômico. Porém, reforçam que não se pode subestimar os impactos da crise sobre a economia real, a estabilidade política e social da região.

O documento ressalta a necessidade de se manter os investimentos em políticas sociais que beneficiem a população mais vulnerável, assim como os investimentos na geração de emprego e na área produtiva dos países. Em entrevista coletiva concedida ontem, o secretário-geral da Secretaria-Geral Ibero-americana, Enrique Iglesias, também demonstrou preocupação com os programas sociais.

¿ Claramente, se a crise se aprofundar, e se nesse aprofundamento for afetada a capacidade fiscal dos Estados, porque se reduz a arrecadação, isso pode ter sua repercussão sobre o setor social ¿ alertou.

O documento pede ainda uma integração maior do comércio internacional e a conclusão da Rodada Doha: "É urgente a conclusão da Rodada Doha, considerando plenamente os interesses de países em desenvolvimento, especialmente os relacionadas a agricultura."

Ainda ontem, em San Salvador, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou ter reduzido para 2,5% sua estimativa de crescimento para a economia da América Latina em 2009, contra um número anterior de 3%, devido à crise financeira global.

¿ Estamos pensando em cerca de 2,5% para o ano entrante, disse Luis Alberto Moreno, presidente do BID, durante a Cúpula Ibero-Americana.

A instabilidade financeira internacional, desatada pela crise do mercado de hipotecas de alto risco nos EUA, principal sócio comercial da América Latina, já afetou os mercados e as moedas da região. Na quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu em Nova Délhi que os países ricos não percam o interesse no Terceiro Mundo devido à crise.