Título: Oposição se mantém a favor da rigidez, mas PSDB negocia
Autor: Falcão, Márcio
Fonte: Jornal do Brasil, 03/11/2008, País, p. A11

As alterações na regra de fidelidade partidárias propostas por governo e PCdoB ainda dividem a oposição. Donos de posição abertamente a favor de uma ligação rígida entre cargos eletivos e partidos, os tucanos agora dizem que aceitam negociar.

¿ A fidelidade precisa ser resolvida pelo Congresso ¿ argumenta o vice-líder do PSDB, deputado Bruno Araújo. ¿ A janela flexibiliza mudanças que não são necessariamente fisiológicas.

DEM e PPS estão resistentes. Dizem que uma nova regra pode ser mecanismo de barganha entre governo e Congresso.

¿ O que estão tramando é uma janela da traição ¿ dispara o deputado Efraim Filho (DEM-PB). ¿ Aquele argumento de que o casamento é indissolúvel está fora de cogitação. Hoje, a qualquer tempo, a qualquer prazo, o parlamentar pode pedir a saída do partido. É só ir ao TSE e justificar sua saída. Agora, o que não podemos é, em nome de exceções, abrir uma regra geral.

Na avaliação do cientista político Leonardo Barreto, pesquisador da Universidade de Brasília, um movimento pela flexibilização da fidelidade já era esperado no Congresso porque o sistema político ficou mais rígido e os partidos acabaram fortalecidos. Barreto acredita que a janela seria uma boa alternativa porque permitiria que as legendas se reorganizassem para as próximas eleições.

¿ É fato que alguma flexibilização existiria ¿ aponta Barreto. ¿ Agora, é preciso que este espaço seja fora do período em que normalmente haveria mudanças fisiológicas para engordar a bancada governista.

Barreto ressalta, no entanto, que a principal distorção das trocas partidárias é o impacto na relação de representação entre os parlamentares e a sociedade.

¿ É absurdo um candidato se eleger em um campo político e exercer o mandato em outro campo. O eleitor se sente traído. (M.F.)