Título: Conjuntura também afeta as operações no exterior
Autor: Rosa, Silvia
Fonte: Jornal do Brasil, 03/11/2008, Economia, p. A18

Se para renovar as emissões de dívida no mercado interno já está difícil, rolar os papéis no exterior, neste momento, parece uma missão quase possível.

As empresas brasileiras têm US$ 2,22 bilhões em bônus e emissões de médio prazo (Mid Term Notes) vencendo entre outubro e março de 2009. Das 19 operações, sete são de bancos médios, que acessavam freqüentemente o mercado externo como alternativa para captar recursos.

De acordo com o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Luiz Fernando Resende, com a retração da liquidez, o mercado para emissão de bônus ficou praticamente fechado, com os investidores buscando ativos mais líquidos.

Para Resende, as empresas que estão capitalizadas acabarão optando por liquidar suas dívidas em moedas estrangeiras e resgatar os títulos. Outra alternativa seria rolar essa dívida por meio de emissões no mercado local.

¿ Porém, essas operações deverão sair com custos mais elevados e prazos mais curtos ¿ afirma.

No caso dos bancos médios, que não podem fazer a oferta de notas promissórias ou debêntures, a captação no mercado interno via emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDB) está mais restrita, uma vez que as taxas estão muito elevadas.

¿ A opção para os bancos médios que estão com papéis vencendo lá fora seria diminuir o crescimento da carteira de crédito ou vendê-las para os bancos grandes para fazer caixa e resgatar as emissões ¿ destaca Resende.

Mais em conta

Uma das instituições de médio porte que aproveitou-se do momento para recomprar parte de sua dívida foi o Pine. Dos US$ 150 milhões em dívida assumida que o banco terá de rolar até julho de 2010, já recomprou quase 10%.

¿ O ambiente é adequado para esse tipo de operação. O cenário de turbulências faz com que investidores institucionais tenham de vender posições e torna a recompra atrativa ¿ afirma o vice-presidente do Pine, Clive Botelho.