Título: Superávit recua 64,8% com pior resultado em sete anos
Autor: Monteiro, Viviane
Fonte: Jornal do Brasil, 04/11/2008, Economia, p. A21
Importações cresceram pouco e exportações caíram muito, diz ministro.
BRASÍLIA
A balança comercial brasileira já começou a sentir os efeitos da redução da demanda mundial. O superávit em outubro ficou em US$ 1,2 bilhão, mas é o pior resultado para meses de outubro dos últimos sete anos.
O ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior informou ontem que, em outubro, as importações brasileiras cresceram pouco, enquanto que as exportações caíram muito. No caso das exportações, o problema é a redução da demanda mundial e no caso das importações, o "empossamento" de mercadorias nas alfândegas em razão da disparada do dólar.
As exportações caíram em outubro, em relação a setembro. As principais reduções de vendas foram para os Estados Unidos (-24,3%), Europa Oriental (-28,6%) e China (20,8%). Diante desse cenário, o superávit comercial fechou o mês passado em US$ 1,2 bilhão, um pouco menos da metade dos US$ 2,7 bilhões apurados em setembro.
Em relação a outubro do ano passado, o superávit caiu mais da metade (-64,8%) em relação aos US$ 3,4 bilhões. Trata-se do menor valor desde março, quando ficou em US$ 995 milhões.
Queda nas vendas diárias
No total, a receita das exportações fechou outubro em US$ 18,5 bilhões, uma queda de 7,5% em relação a setembro (US$ 20 bilhões). Ainda, assim, as exportações superam os US$ 15,7 bilhões observados em igual mês do ano anterior e registraram o maior valor para meses de outubro.
As vendas diárias do Brasil ao exterior recuaram de US$ 909 milhões para US$ 841 milhões, em média, entre setembro e outubro. Ambos resultados são os menores desde abril deste ano. Mas o valor diário vendido ficou acima do apurado em igual mês de 2007 (US$ 716 milhões).
Já as importações brasileiras mantiveram a trajetória de alta, mas em menor proporção em relação às taxas anteriores. As compras no exterior somaram US$ 17,3 bilhões em outubro, um modesto aumento de 0,24% em relação ao mês anterior (US$ 17,2 bilhões. E bem acima dos US$ 12,3 bilhões apurados em igual mês de 2007. Para se ter uma idéia, ao longo deste ano as importações chegaram a apresentar taxas entre 50% e 60%.
Para o secretário de Comércio Exterior do ministério, Welber Barral, parte da queda das exportações em outubro deve-se ao impacto da sazonalidade do período. Porém, a queda de 7,5% ficou acima das registradas em igual mês dos últimos três anos, cuja queda ficou abaixo de 4%. Segundo ele, a redução das exportações foi motivada pela "imprevisibilidade da alta do dólar", o que deixou os exportadores cautelosos.
No caso, da queda dos preços da commodities ele disse que o destaque ficou por conta do alumínio que caiu 9,3% sobre setembro. Para fugir da crise, as empresas brasileiras estão buscando novos mercados. O secretário de comércio exterior do ministério, Welber Barral, disse que países, como Portugal, Espanha, Egito, Marrocos, Coréia do Sul, França, Reino Unido e Emirados Árabes estão recebendo mais produtos nacionais.