Título: Fusão entre Oi e BrT não será afetada pela crise
Autor: Monteiro, Ricardo Rego
Fonte: Jornal do Brasil, 04/11/2008, Economia, p. A22

O valor da operação de fusão entre a Oi e Brasil Telecom (BrT), que deve ser concluído até 21 de novembro, não sofrerá rescaldo nem será maximizado em razão da crise internacional. É o que garante o presidente da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Sérgio Rosa, que considera a posição totalmente equivocada.

¿ São duas operações estratégicas, e o valor estipulado é um planejamento futuro de escala, de posicionamento das duas empresas a longo prazo ¿ explicou Rosa. ¿ O preço nada tem a ver com o valor das ações em Bolsa nesse momento, que reflete um cenário de empresas quebradas.

Preço reflete cautela

Na avaliação do presidente do fundo de pensão do Banco do Brasil, um dos acionistas da BrT, o valor das ações atualmente reflete "a cautela da maioria, o movimento abrupto de investidores e até o pânico de outros, mas, de maneira alguma, reflete o fluxo de caixa dessas empresas", sustentou.

O executivo reafirma que a fusão faz todo o sentido para as duas empresas, e que a Oi e BrT estão focadas na realização de um negócio a longo prazo.

¿ Todos os cálculos foram visando projeções de futuro. As duas empresas tenderiam a perder se essa fusão fosse desfeita ¿ ponderou.

O executivo admite, no entanto, fazer uma reunião com os compradores (Oi) a fim de estender o prazo de 21 de novembro, determinado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para que a operação seja efetuada.

Caso a operação não seja concluída no prazo, a Oi terá de pagar multa à BrT, mas, segundo Rosa, não é essa a intenção dos acionistas.

¿ Se o negócio fizer sentido, como até agora continua fazendo, todos os investidores poderão sentar e conversar para prorrogarmos o prazo dos contratos ¿ disse.

Rosa também comentou a decisão da Vale em reduzir produção, diante do enfraquecimento da economia e da demanda por minério de ferro no mundo.

Para o presidente da Previ, o cenário ainda é de muita incerteza, e isto reflete uma certa cautela dos investidores, dos produtores, das empresas, no curto prazo. No entanto, Rosa considera que os ativos da Vale são de melhor qualidade e, em qualquer cenário, a empresa continua sendo competitiva.

¿ A médio prazo, os fundamentos da economia mundial vão retornar, e assim que a crise financeira for debelada, os planos de produção mundial do aço, serão restabelecidos ¿ avaliou. ¿ Com uma produção menor, mas a Vale continuará competitiva.

No caso da Previ, o presidente disse que só terá conhecimento das perdas no fim do exercício. Rosa reconhece que a crise teve impacto no resultado financeiro de seus fundos, e estima perdas médias entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões em outubro, em comparação com dezembro de 2007.