O globo, n. 31935, 12/01/2021. País, p. 6
Para Maia, demora em vacinar pode levar a impeachment
12/01/2021
Má condução do combate a pandemia é risco para Bolsonaro, avalia
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ontem que o desempenho do governo federal na corrida pela vacinação contra a Covid-19 pode fazer com que o presidente Jair Bolsonaro “sofra um processo de impeachment muito duro” nos próximos meses. Maia, que nos últimos dois anos não decidiu sobre mais de 50 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, disse também que a decisão sobre o tema caberá ao novo presidente da Casa, cuja eleição acontecerá em fevereiro. As declarações foram concedidas em entrevista ao site “Metrópoles”.
— O principal erro de todo o governo do presidente Jair Bolsonaro é a questão da vacina. E acho que, pela questão da vacina, se ele não organizar rápido, talvez ele sofra um processo de impeachment muito duro se não se organizar rapidamente. Porque o processo de impeachment, você sabe muito bem disso, é o resultado da organização da sociedade. Como se organizou contra o presidente Collor e contra a presidente Dilma —disse Maia.
Ainda de acordo com o deputado, ele não percebeu, até agora, uma pressão da sociedade e da classe política que “transbordasse para dentro do Parlamento”. Esse movimento, afirma ele, pode acontecer caso o governo não se mobilize em prol da vacinação como ferramenta de combate à pandemia do novo coronavírus. Até ontem, mais de 50 países já tinham começado a aplicar imunizante em suas populações, enquanto o Brasil ainda não tem uma data oficial para fazer o mesmo.
Apesar da urgência do assunto, Maia afirmou que não caberia a ele discutir o impeachment de Bolsonaro agora:
— Estamos em recesso, não vai julgar agora. Eu vou apenas criar um ambiente político de desorganização enquanto num momento em que está se elegendo um novo presidente (da Câmara). Eu acho que esse papel cabe ao novo presidente.
Maia reafirmou que as ações da Câmara no enfrentamento à pandemia foram seu foco ao longo do ano passado e elogiou a produtividade dos parlamentares. Por essa razão, justificou ele, a discussão sobre um possível impeachment não foi privilegiada.