Título: Aumento da renda depende de redução da taxa Selic
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/11/2008, Tema do Dia, p. A3
O aumento da renda do trabalhador e a maior oferta de empregos só continuarão se o governo reduzir a taxa de juros básicos da economia (Selic) e mantiver investimentos em saúde e educação. Para isso, tem de reduzir despesas com pagamentos de juros da dívida.
A opinião é do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochman. O estudo divulgado ontem mostra que a principal fonte de renda do país em 2011 virá do trabalho, caso a crise internacional não atrapalhe.
Segundo o estudo, a redução da Selic, hoje em 13,75%, se justificaria pois não há aquecimento de consumo. Pochmann lembrou que a distribuição de renda no Brasil vem melhorando em período recente, com a redução da desigualdade entre os que ganham mais e menos. Ao mesmo tempo, há maior participação do salário na renda nacional.
¿ Sempre que aumenta a participação dos salários na renda há redução da desigualdade e melhor distribuição ¿ observa Pochmann.
A participação dos trabalhadores na renda nacional está em 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 1980, essa relação era de 50%. Nos anos 50, chegou a 56%. Pochmann prega a necessidade de ser retomada a proporção dos anos 50, em vista da situação atual da economia, de forma a reduzir a desigualdade entre a renda de proprietários e trabalhadores.
A partir de 1990, uma série de transformações no país, como combate à inflação e abertura da economia mundial, promoveram alterações na repartição da renda entre empregados e proprietários que ganham a partir da própria estrutura econômica. Em 1990, empregados tinham renda superior a dos proprietários. A proporção foi reduzida com o passar do tempo.