Título: Nova política monetária trará investimentos
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/11/2008, Tema do Dia, p. A3

O estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sustenta a tese de que se houvesse menos desembolso de juros no país, sobrariam mais recursos para se aplicar em educação, segurança e saúde. No entanto, especialistas apontam que isto não pode ser objeto de comparação, e todos esses gastos devem estar contemplados no orçamento do governo.

O que precisa ser feito, afirma Nelson Carneiro, economista da Austin Rating (agência classificadora de risco), é realinhar a política monetária de forma a pôr fim ao foco da inflação, além de diminuir os gargalos estruturais do país para concentrar investimentos em educação, saúde e outros itens fundamentais ao desenvolvimento econômico.

¿ Tudo é custo do governo, e demonstra como o dinheiro está sendo gasto ¿ analisou Carneiro. ¿ Mas, mesmo sem mexer na taxa de juros, o governo poderia aprovar a reforma tributária e, só com essa medida, já geraria receita extra para aplicar em educação e saúde.

Impacto sobre a demanda

Por outro lado, destaca o economista, "a atual política monetária de só querer controlar a inflação, por meio do aumento da taxa de juros, não é eficaz". Para Carneiro, a taxa Selic tem pouco impacto sobre a demanda, e os juros bancários são muito altos.

¿ O spread bancário é muito superior a taxa Selic ¿ pouco mais de 1% ao mês ¿ porque o risco das operações de crédito ainda são altos ¿ criticou. ¿ E se o governo investisse em uma nova política monetária, talvez pudesse avançar no crescimento econômico. A geração atual desconhece o que é inflação.

Diante desse quadro, no curto prazo, não tem como o brasileiro aumentar sua renda, sustenta o economista. "Porque falta trabalhador qualificado e sobra desqualificado. O governo precisa corrigir esses gargalos estruturais, investir mais em gente", avaliou.

Para Carlos Thadeu de Freitas, ex-presidente do Banco Central (BC) e chefe do Departamento Econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a política monetária está correta. Aponta que o governo precisa manter os juros em alta, em busca da estabilidade econômica, para se poder gastar mais com educação e saúde e manter o ritmo de crescimento.

Por causa da estabilidade econômica, a dívida líquida versus PIB já caiu bastante, ressaltou Thadeu de Freitas. Em 2002, estava na casa dos 60%, hoje regula em 38%.

¿ Caiu, porque a economia cresce mais e, conseqüentemente, pode-se investir mais nas necessidades de base para a população ¿ disse.

Para o economista, o nível de renda do brasileiro aumentou muito pouco, por causa da crise cambial que vivemos em 1999. E alerta: "se o dólar voltar a subir, novamente teremos problemas nesse quesito".