Título: Alemanha anuncia recessão
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Fonte: Jornal do Brasil, 14/11/2008, Economia, p. A16

Depois de EUA, Japão e Reino Unido, é a vez de a maior economia da Europa ver o PIB encolher

A Alemanha, a terceira maior economia mundial e a maior da Europa, entrou em recessão pela primeira vez em cinco anos, afetada pela queda nas exportações, o seu principal motor. O PIB (Produto Interno Bruto) alemão encolheu 0,5% no terceiro trimestre ante os três meses anteriores, após se contrair em 0,4% de abril a junho ¿ configurando a definição técnica de recessão.

Apesar do aumento no consumo interno e nos gastos do governo, o resultado foi prejudicado pela "alta considerável" das importações e pelo declínio das vendas para o exterior, o que fez com que a balança comercial tivesse um impacto negativo no PIB.

¿ Estes tempos serão duros para a Alemanha ¿ afirmou o ministro das Finanças, Peer Steinbrück, que vem repetindo que a recuperação da economia mundial deverá levar pelo menos dois anos. A contração da economia alemã já era esperada, mas superou a estimativa de analistas, que apostavam em uma queda de 0,2%. E, agora, a expectativa é a de que os resultados de outubro a dezembro sejam ainda piores, já que o recrudescimento da crise mundial começou na segunda metade de setembro.

Os dados do terceiro trimestre da Alemanha mostram mais uma vez que os efeitos da atual crise não estão restritos aos países que tiveram uma grande expansão no mercado imobiliário ou em que os consumidores estão largamente endividados. Com o desaquecimento da economia global (e, conseqüentemente, com as compras menores dos consumidores), a Alemanha teve prejudicado o seu setor de exportação.

Principal exportador mundial, a Alemanha era, pelo menos até o mês passado, o quarto país que mais comercializava para o Brasil e o quinto principal destino das vendas brasileiras. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, os alemães têm saldo positivo de US$ 2,88 bilhões com o Brasil.

A lista dos países que estão em recessão deve ser ampliada amanhã com a divulgação dos dados de França e Itália, que também se retraíram no segundo trimestre. EUA, Japão e Reino Unido (respectivamente, a primeira, a segunda e a quinta maiores economias globais) se contraíram recentemente.

Outro sinal da crise é a aceleração das demissões. No Reino Unido, onde a taxa de desemprego chegou ao seu maior nível em oito anos, a British Telecom anunciou que demitirá mais de 6.000 funcionários, medida que também afetará outros países ¿ 4.000 já haviam perdido seus empregos.

E a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que a retração e o desemprego vão crescer entre os países mais industrializados. A instituição prevê que os seus países-membros se contrairão em 0,3% em 2009, com quedas de 0,9% nos EUA, de 0,5% na zona do euro e de 0,1% no Japão.

Já o desemprego nos mais industrializados deve saltar de 5,9% neste ano para 6,9% em 2009, e chegar a 7,2% em 2010. Nos EUA, a taxa pode atingir 7,3% no ano que vem, 1,3 ponto percentual menor que a da zona do euro.