Título: Reunião está longe de ter resultados concretos
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Jornal do Brasil, 15/11/2008, Tema do Dia, p. A4

Duas agendas urgentes na crise e nenhuma medida concreta. A ausência de decisões efetivas deve ser, segundo analistas, a conclusão da reunião do G-20. A construção de uma nova arquitetura financeira mundial, objetivo maior da entidade, tem poucas chances de vencer a resistência dos países avançados em compartilhar o poder com emergentes, como o Brasil. O vazio de propostas se estende às medidas de curto prazo necessárias para conter os impactos mais graves da crise.

Rubens Ricupero, diretor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), acredita que as propostas de ampliação do núcleo do poder do G-20, extensiva aos emergentes não passa de retórica.

¿ Os americanos não vão permitir a interferência do poder nesta ordem econômica na qual são os principais beneficiários, a exceção é a China, porque tem cacife ¿ diz ele que ocupou os cargos de ministro da Fazenda e embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Segundo ele, a defesa do capitalismo e de controles mínimos do mercado financeiro, feita pelo presidente Bush em discurso em Wall Street, demonstra a real posição de Washington.

¿ E duvido que o novo presidente americano, Barack Obama, tenha posição diferente, assim como os europeus, que, pela fatia de poder que têm no Fundo Monetário Internacional (FMI) já poderiam ter compartilhado o poder com os emergentes, se assim o quisessem. No FMI, os Estados Unidos detém 17% das cotas. Os europeus somam quase 36%.

Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp e embaixador do Brasil em Washington, acredita que deverá ter um comunicado que marque a posição do G-20 como fórum privilegiado de discussão, proponha grupos de trabalho e linhas de crédito a curto prazo.

¿ Não vão criar novas instituições. A tendência é fortaleceram as que já existem ¿ analisa ¿ Sobre a ampliação do poder de voto dos emergentes, é bem difícil que os desenvolvidos cedam espaço político, pelo menos no curto prazo.