Título: Custo financeiro tem de cair, diz Mantega
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Jornal do Brasil, 15/11/2008, Tema do Dia, p. A4
Ministro: Brasil reduzirá juros, mas à sua maneira.
WASHINGTON
A reunião de cúpula dos presidentes e chefes de Estado do G-20 que começa hoje em Washington tem vários pontos como consenso para combater a crise financeira mundial que já colocou os países da zona do euro em recessão, informaram ontem os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim e da Fazenda, Guido Mantega. Um deles é reduzir o custo financeiro, de forma coordenada.
¿ Cada país está reduzindo os seus juros de acordo com seu ritmo e sua necessidade. Uma coisa é certa: tem que baixar o custo financeiro porque ele subiu muito recentemente. Se o custo financeiro não cair, a economia não cresce. Nenhuma economia cresce com custo financeiro elevado e crédito escasso. Temos de reverter essa situação e reduzir esse custo de diversas maneiras. E o Brasil vai fazer à sua maneira ¿ disse Mantega a jornalistas brasileiros ontem em Washington.
Segundo ele, o país não vai reduzir os juros como fez o Reino Unido e os EUA, que cortaram os seus em mais de um ponto percentual.
¿ Mas nós também nos moveremos nesse sentido ¿ disse o ministro sem estipular datas, mas acrescentando que "não há o risco da inflação no momento, pois o preço das commodities caiu."
Mantega e Amorim participaram ontem das reuniões bilaterais que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez em paralelo às reuniões técnicas de preparação para o G-20. O presidente chegou quinta-feira à noite em Washington, sem falar com a imprensa. Pela manhã, reuniu-se, pela ordem, com o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, com o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, e com líderes sindicais. À tarde, teve encontros bilaterais com o premier britânico, Gordon Brown, e com a presidente da Argentina Cristina Kirchner.
De acordo com os dois ministros brasileiros, houve vários pontos de convergência nas conversas bilaterais de Lula ao longo do dia.
¿ Houve um consenso da necessidade de uma ação coordenada e imediata, em vários níveis: de comércio, de novas regras do sistema financeiro e da política monetária e fiscal ¿ disse Mantega.
¿ De modo geral, o encorajamento a um relançamento de da economia mundial reordenada foi tema comum. Houve também referências à necessidade de uma maior supervisão e fiscalização do sistema financeiro internacional ¿ afirmou Amorim.
O chanceler destacou o fato de que há um movimento favorável para uma nova reunião do G-20 de forma que os líderes continuem a supervisionar as questões discutidas e acordadas hoje pelo grupo. Provavelmente, a próxima reunião será no fim de fevereiro ou de março, no Reino Unido, que assumirá no lugar do Brasil na presidência do G-20.
¿ A necessidade de uma ação coordenada dos é uma resposta diferente à que foi dada na crise dos anos 1930, quando os países demoraram em tomar atitude. Cada um foi para o seu lado. As economias se fecharam no protecionismo e houve a grande depressão mundial. Agora existe a consciência de que as nações precisam trabalhar junto ¿ disse Mantega. ¿ Para enfrentar uma crise, as ações precisam ser rápidas.