Título: GM amplia férias coletivas no país
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Fonte: Jornal do Brasil, 15/11/2008, Tema do Dia, p. A6
Sindicato estima que, no total, 4 mil empregados da montadora estão prestes a ir para casa.
A General Motors (GM) comunicou ontem ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP) que irá conceder férias coletivas para os trabalhadores do segundo turno do setor de produção da S10. Os funcionários da fábrica ficarão de férias entre os próximos dias 1º e 23 de dezembro, mas só retornarão ao trabalho no dia 5 de janeiro, por causa da ponte de dias no Natal e Ano Novo.
A empresa não informou o número exato de funcionários do setor a serem atingidos ¿ o Sindicato estima cerca de 400. Trata-se do terceiro anúncio de férias coletivas em pouco mais de um mês. O primeiro período começou em 20 de outubro.
A partir de segunda-feira, entram em férias os trabalhadores da Powertrain e MVA (montagem dos modelos Corsa, Zafira e Montana). No dia 24, será a vez do CKD (fabricação de veículos desmontados para exportação). Estes setores somam cerca de 4 mil funcionários, segundo estimativa do Sindicato. Além disso, na semana passada, a GM informou nova abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV) na planta de São José dos Campos.
Outras companhias
Na quarta-feita, a Fiat Automóveis adotou entre os dias 17 e 26 deste mês novo período de férias coletivas em Betim (MG), que abrangerá dessa vez cerca de 3 mil empregados. Em outubro, a fábrica já havia colocado 1.700 funcionários também de Betim na mesma situação, informando que a parada adotada seria usada para "administrar a produção".
Na semana passada, a Ford também anunciou que funcionários de suas três unidades no Brasil ¿ Camaçari (BA), São Bernardo do Campo e Taubaté (SP) ¿ terão suas férias coletivas antecipadas devido à desaceleração das vendas de carros e caminhões.
Apesar de antecipar as férias coletivas, a Ford, em nota, confirmou a manutenção dos investimentos programados pela empresa até 2012 na América do Sul. No fim do mês de outubro, a montadora Volkswagen informou que concederia férias coletivas de 10 dias para 1.800 funcionários da produção que trabalham em dois turnos da unidade de São José dos Pinhais (PR) em dois períodos distintos.
Escassez de crédito
Por conta da desaceleração do setor, que depende de crédito farto ¿ a crise fez secar o dinheiro em circulação e dificultou a obtenção de financiamentos pelos consumidores ¿ o governo federal já injetou dinheiro nas financeiras das montadoras. O Banco do Brasil liberou linhas de crédito de R$ 4 bilhões ao setor. Neste semana, foi a vez do governo de São Paulo, por meio do banco Nossa Caixa, liberar mais R$ 4 bilhões.
Em outubro, as vendas de carros novos no Brasil caíram 11%. Para o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Horácio da Silva Montenegro, o mau resultado foi um susto, porém, não agravou a situação porque o governo tomou medidas para remediar o problema ao injetar o grande volume de recursos nos bancos das montadoras, para facilitar os financiamentos aos consumidores. Mas "o momento ainda é de incertezas", disse o presidente da Anef.