O globo, n. 31962, 08/02/2021. Sociedade, p. 7

 

Vacina de Oxford pode não proteger contra variante

08/02/2021

 

 

Estudo preliminar suI—africano leva país a suspender uso do imunizante, mas não esclarece se impede formas graves da Covid—19

AnÁfrica do Sul suspendeu o uso da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca/ Oxford ontem, depois que um estudo de pequeno alcance indicou que o imunizante oferece proteção limitada contra formas leves ou moderadas da doença causadas pela variante do vírus local, que tem transmissão mais acelerada.

A vacina da AstraZeneca/ Oxford é a principal aposta do governo brasileiro na imunização contra a Covid-19. O país também lida com outras variantes, incluindo uma encontrada no Amazonas, com mutações similares, de acordo com especialistas, às da variante sul-africana. À Globonews, o infectologista e pesquisador da Fiocruz Julio Croda afirmou que espera uma manifestação célere do Ministério da Saúde sobre a decisão do governo sul-africano

Não ficou claro, no entanto, a partir dos dados delineados pelos cientistas sul-africanos no estudo se a vacina AstraZeneca/Oxford de fato não protege contra formas graves da variante, uma vez que nenhum voluntário foi hospitalizado.

O estudo, que envolveu cerca de 2.000 voluntários, é considerado em termos científicos pequeno e seus participantes em sua maioria muito jovens (a idade média era de 30 anos) para se tirar conclusões definitivas sobre a eficácia geral da vacina na proteção contra a Covid-19, especialmente quando se trata de hospitalizações ou mortes. Os resultados ainda não foram revisados por pares.

Dos 39 voluntários do estudo da AstraZeneca/Oxford infectados com a nova variante sul-africana, 19 receberam a vacina, enquanto 20 receberam um placebo, informou Shabir Madhi, o principal investigador do estudo e reitor da escola de medicina do Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.

Esses números implicariam em uma taxa de eficácia de cerca de 10% na proteção contra a Covid-19 leve e moderada da nova variante. O mesmo cientista acrescentou que os dados são muito limitados para serem estatisticamente significativos.

As autoridades de saúde sul-africanas informaram que consideram retomar o uso da vacina no país caso outros estudos mostrem que há proteção contra a forma grave da Covid-19 causada pela nova variante.

O estudo aumentou as preocupações de que as mutações do vírus possam tornar as vacinas existentes menos eficazes e que elas precisem ser atualizadas para proteger contra novas cepas. A variante B.1.351 já se espalhou para pelo menos 32 países, incluindo os Estados Unidos.