Título: Depois da crise
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 18/11/2008, Tema do Dia, p. A5
EX-MINISTRO DO PLANEJAMENTO E PRESIDENTE DO INSTITUTO JK
As nações como as famílias têm momentos de dificuldades e dúvidas. A crise atual pega a todos de surpresa.
Estávamos em um mar de tranqüilidade em que no Brasil só um comandante de longo curso como Henrique Meireles estava atento e a crise chegou.
Estávamos prevenidos. Grandes reservas, dívidas pagas, estabilidade monetária exportação em alta e até mesmo um crescimento saudável de renda.
Agora é apertar o cinto e não fumar na decolagem. Dever de casa agora é controlar os gastos públicos e tirar partido da crise.
Quanto aos gastos públicos temos de ser seletivos. Empregos a gerar não devem ser na maquina publica e atividades meio, mas na iniciativa privada.
A receita pública vai cair tanto a de impostos quanto a de exportação. Em casa de família a ação é singular. Menos cinema e refeições fora e, sobretudo, aumentar as rendas.
No governo, entra o planejamento seletivo. Cortar o que representa economia. Um pouco menos de viagens ao exterior não é mal. Vamos fazer da crise uma forma de engordar o turismo interno e com ele tirar uma casquinha na massa de turistas estrangeiros.
Isto se faz com infra-estrutura hoteleira, mas também com preços competitivos. Uma viagem a Natal, mesmo com a sua ótima carne de sol não pode ficar ao preço de Miami. Assim não da. Os preços da viagem ao Amazonas também estão pela hora da morte com o slogan "Visita antes que acabe".
O petróleo caiu em 50% e as empresas aéreas aumentaram 200% nas passagens. A força da economia americana sempre foi no que para o discurso de esquerda o seu mercado interno.
Importação e exportação onde nossos irmãos do Norte fazem os seus grandes negócios não chega a 15% do PIB. O Brasil esta no mesmo caminho e tem quase 90% do PIB dependendo do mercado interno.
Mercado interno e desenvolvimento regional como fez Roosevelt na crise de 1930 e, sobretudo emprego que é também o nosso caminho.
Vamos fazer do limão uma limonada e quando passar a crise estaremos navegando a todo vapor para o primeiro mundo.
O caminho é a otimização de nossas vantagens. No agronegócio, etanol e carnes. Na indústria pesada aço e alumínio.
Damos também uma boa "bicada" no setor automotivo e aeronáutico. Com o pré-sal viável enquanto o barril custar mais de 40 dólares fazemos a festa.
No embalo vamos ao turismo e indústria de transformação como confecção alimentos e moveis por exemplo.
Vale no intervalo para massagear os músculos o mercado interno com 20 milhões de novos consumidores.
Tirar proveito da crise para afiar as armas e escolher o campo de luta é agora a nossa meta.
Vamos de cabeça fria e dedo na gatilho atinar para valer no alvo certo.