Título: Arrecadação de impostos bate recorde, apesar da crise
Autor: Americano, Ana Cecília
Fonte: Jornal do Brasil, 20/11/2008, Tema do Dia, p. A2

Em plena crise financeira mundial, a arrecadação de impostos e contribuições federais pela Receita Federal atingiu R$ 65,493 bilhões em outubro, voltando a subir após dois meses seguidos de desaceleração. Além de ser o segundo melhor resultado do ano ¿ perde apenas para janeiro ¿, é um recorde para meses de outubro. A arrecadação cresceu 17,13% sobre setembro e ficou 12,36% maior em igual mês do ano passado, número já deflacionado pelo Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA).

Técnicos do órgão não vêem, por enquanto, impactos negativos da crise sobre a arrecadação tributária. Inclusive, dizem que o Fisco conseguiu um adicional de R$ 4 bilhões na arrecadação de tributos por conta dos reflexos da intensificação da crise no mercado financeiro brasileiro.

Os funcionários da Receita Federal citaram como exemplos a migração de aplicações de CDBs e fundos de renda fixa para títulos do Tesouro Nacional e aumento das operações de cambio com contratos de swap.

Simples terá prazo estendido

O governo federal está decidido a promover uma ampliação do prazo de recolhimento de impostos por meio do Simples Nacional, destinado a micro e pequenos empresários. A idéia é "esticar" a data de cobrança em 60 dias, dando mais fôlego financeiro para o pequeno empresariado.

A proposta foi discutida ontem no Palácio do Planalto, em reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o governador de São Paulo, José Serra. Segundo Mantega, a meta é aprovar a medida ainda em novembro, para que passe a vigorar no mês que vem.

¿ O pagamento de dezembro vai ser feito só em fevereiro ¿ disse Mantega.

A proposta copia decisão já tomada pelo governo federal em relação às grandes companhias que ganharam mais 30 dias para recolher impostos federais e contribuições sociais. O ministro da Fazenda disse que a medida é importante como mais um mecanismo que blinda a economia brasileira contra os efeitos da crise.

¿ Vamos ter crescimento com taxa positiva em 2009 ¿ garantiu Mantega, colocando o Brasil em situação oposta à recessão que ameaça os países ricos.