Título: Venda de anoréxicos cresceu em 500%
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 02/03/2005, País, p. A6
A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), que monitora a implementação dos tratados internacionais de controle de drogas, divulgou ontem um relatório que revela um aumento de 500% no consumo de anoréxicos no Brasil desde 1998.
O documento afirma que, a cada ano, bilhões de doses de remédios com substâncias que podem matar são vendidas ilegalmente em todo o mundo pela internet. Lançado ontem no Palácio do Planalto - com a participação do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) e da Secretaria Nacional Antidrogas - o documento ressalta que há consumo exagerado de moderadores de apetite no país. Por isso, solicitou ao governo providências para enfrentar a questão.
As vendas desses produtos farmacêuticos on-line aumentaram no último ano e agora representam a grande maioria das operações das farmácias que atuam ilegalmente na internet. Sem a licença de funcionamento, vendem rotineiramente substâncias psicotrópicas sem as prescrições médicas obrigatórias.
O diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), Elisaldo Carlini, pediu aos profissionais da área médica e da farmacologia auxílio para enfrentar problema e cobrou explicações do Ministério da Saúde:
- Esse padrão de consumo é inadmissível e deve ser combatido.
As vendas ilegais de medicamentos na internet incluem substâncias com alto potencial de dependência química, tais como derivados de ópio, estimulantes (anfetaminas) e benzodiazepínicos (alprazolam e diazepam, por exemplo). Também possuem substâncias que apresentam riscos fatais à saúde, quando consumidas sem supervisão médica, como barbitúricos e opióides (fentanyl e secobarbital, por exemplo).
- Essas farmácias desrespeitam as convenções internacionais e as leis nacionais sobre controle de drogas, criando situações de risco para a saúde dos consumidores. Além disso, alimentam o mercado ilegal dessas substâncias e criam, na internet, um ambiente propício para a atuação das organização criminosas - ressaltou o representante do UNODC para o Brasil e Cone Sul, Giovanni Quaglia.
No seu relatório, a Jife constatou que o país tem se esforçado para implementar os tratados internacionais de drogas, mas acredita que ainda é necessário enfrentar o problema do uso abusivo de remédios controlados, como os moderadores de apetite e os antidepressivos. A Junta recomendou uma análise cuidadosa sobre a emissão de receitas médicas e a educação dos profissionais da área médica e da população sobre o uso racional dessas substâncias.