Título: Estudo do BID revela paradoxos
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 19/11/2008, Economia, p. A19

Populações com renda per capita menor se declaram mais satisfeitas.

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) sobre a percepção de qualidade de vida na região da América Latina e Caribe, divulgado ontem, mostra que a população de países com renda per capita menor se declara mais satisfeita com a qualidade de vida do que a de renda mais elevada. A pesquisa também indica que os latino-americanos são mais satisfeitos com a própria educação do que o esperado pelo BID, mas têm desempenho inferior em relação aos estudantes da Ásia e Europa, por exemplo.

"Os indivíduos com nível de escolaridade maior têm opiniões mais críticas sobre o sistema de educação de seus próprios países", apontou o estudo.

O estudo usa o exemplo do Chile, um dos países mais prósperos da América Latina e Caribe, cuja população mostra um grau de satisfação com a qualidade de vida inferior ao dos habitantes de 10 países com renda per capita menor, como Guatemala, Venezuela e Brasil.

Segundo o documento, o Brasil teve crescimento médio de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) per capita de 2001 a 2006. Na pesquisa, a população brasileira se vê no ponto 6,2, em uma escala de satisfação que vai de zero a 10. Já o chileno, que teve um crescimento médio de 3,1% do PIB per capita, se avalia em 5,8 na mesma escala.

Sobre o mercado de trabalho, o relatório diz que 82% dos latino-americanos estão felizes com seus trabalhos, mesmo diante do aumento na informalidade na última década. O número também é maior do que em países com alta renda per capita, como o Japão e a Coréia do Sul, onde 78% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com o trabalho. A Guatemala aparece no topo da lista, com cerca de 95% dos entrevistados satisfeitos com seus trabalhos e uma taxa de informalidade de cerca de 65%. O Brasil aparece em quarto lugar, com índice de satisfação de cerca de 90%.

Para o BID, a aparente contradição entre a satisfação com emprego e as condições de trabalho reflete o "maior valor que a maioria dos latino-americanos dão à flexibilidade e desenvolvimento de habilidades pessoais"".

O relatório, realizado a partir de pesquisas feitas pelo instituto Gallup entre 2005 e 2007 com 40 mil pessoas em 24 países da América Latina e Caribe, aponta ainda que 95% dos habitantes de cidades latino-americanas e caribenhas têm acesso à eletricidade e 85%, a água potável e telefone. A margem de erro varia de país a país, de 3,1% a 5,1%, para mais ou para menos.