Título: Remédios subirão até 7% este mês
Autor: Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 02/03/2005, Brasília, p. D4

Projeção é do Conselho Regional de Farmácia do DF

Os preços dos medicamentos terão reajuste no final do mês e o Conselho Regional de Farmácia do DF (CRF/DF) já projeta um aumento de 6% a 7%. Entre fevereiro do ano passado e fevereiro de 2005, os remédios com preços liberados, os fitoterápicos e os homeopáticos, sofreram reajustes de 0,04% a 53,86%. Já os medicamentos que têm preços regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), cerca de 950, tiveram aumentos acima do permitido para o mesmo período - 6,20%-, segundo pesquisa do CRF/DF. Os reajustes variaram de 6,21% a 110,61%. Para fugir dos preços altos consumidores procuram farmácias genéricas ou pesquisam em vários estabelecimentos. A aposentada Adalice Procopio de Macena, 72 anos, consulta os preços em todas as lojas das ruas da Farmácia, na quadra de 302 Sul, em Brasília.

- Os preços são muito altos, não tem como comprar sem pesquisar - afirma.

Adalice afirma que gasta cerca de R$ 500 reais, por mês, com remédios. Segundo ela, os preços da maioria dos medicamentos que compra dobraram de valor, nos últimos seis meses.

Karine Rodrigues, sócia-proprietária de uma farmácia de entrega em domicílio, localizada no Sudoeste, afirma que é possível oferecer descontos de até 22% para os consumidores, depois de uma negociação com os fornecedores.

-Conseguimos descontos comprando à vista ou pela quantidade de medicamentos de adquirimos - afirma Karine.

De acordo com o presidente do CRF/DF, Antônio Barbosa da Silva, não há justificativa para o aumento de preços. É que os laboratórios tiveram os custos reduzidos devido à desvalorização do dólar em relação ao real. A maioria das matérias primas é importada. Silva critica também a fórmula de reajuste do governo.

- Não é justo um aumento linear dos medicamentos. Seria necessário que o reajuste ocorresse para cada produto no mercado - argumenta.

O presidente do CRF/DF sugere ainda uma maior divulgação dos preços de medicamentos genéricos. Silva destaca que 90% dos princípios ativos não têm patentes, ou seja, são lançados no mercado com várias marcas e preços diferentes. Silva destaca que para cada princípio ativo, há no mercado uma média de seis produtos genéricos.

- O governo precisa estimular a classe médica a orientar seus pacientes sobre os medicamentos mais baratos. Em vez de divulgar o genérico pela marca, deveria ser pelo preço. Sugerimos também que se crie uma tabela de preços acessível aos usuários - enfatiza.

A dica do presidente do CRF/DF para o consumidor é sempre pesquisar os preços das diferentes marcas de genéricos.

O reajuste será divulgado após a publicação oficial do IPCA (Índice de Preços ao Comsumidor Amplo), que considera a taxa de inflação medida em um ano, na primeira quinzena de março. A CMED, responsável pelo índice de reajuste, editará resolução divulgando o preço máximo permitido ao consumidor para este ano.

A variação do percentual do preço do medicamento é composta a partir da soma do IPCA subtraindo-se os fatores de ajuste de preços relativos entre setores e intra-setor e de produtividade dos laboratórios e indústrias de medicamentos, já fixado em 1,5% para 2005.