Título: Europa estuda pacote de US$ 260 bi
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Fonte: Jornal do Brasil, 27/11/2008, Economia, p. A19
Proposta equivale a 1,5% do PIB do bloco. BC chinês faz maior corte de juros desde 1997.
A Comissão Européia defendeu ontem um pacote de estímulo fiscal de 200 bilhões de euros ¿ cerca de US$ 260 bilhões ¿ na tentativa de evitar uma profunda recessão no bloco de 27 países. O movimento procura diminuir as diferenças entre países da União Européia nas políticas de reação à pior crise financeira desde a Grande Depressão.
Líderes do bloco vão estudar o plano em cúpula nos dias 11 e 12 de dezembro, e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, enfatizou que os governos devem olhar a proposta com atenção.
¿ Nossa atitude é de oferecer uma série de ferramentas ¿ disse Barroso sobre o pacote de propostas equivalente a 1,5% do PIB do bloco. O plano inclui cortes de impostos ao consumo e recursos para setores como o automotivo.
¿ As medidas cujos Estados-membros introduzem não precisam ser idênticas, mas precisam ser coordenadas ¿ completou.
França, Grã-Bretanha e outros países da UE já adotaram esforços para impulsionar suas economias.
¿ Ações já anunciadas por Estados-membros claramente são parte desse esforço ¿ acrescentou Barroso.
De acordo com o representante europeu, não está claro se o esquema, mais ambicioso que o pacote de 1% do PIB que vinha sendo falado, será suficiente. Economistas manifestaram ceticismo sobre como o plano pode ser gerenciado.
A Alemanha já disse que resistiria a qualquer tentativa de coordenar cortes de impostos sobre vendas pelo bloco, enquanto países do Leste Europeu, como a Polônia, não querem aumentar seus déficits, porque precisam mostrar disciplina orçamentária para adotar o euro como moeda.
As propostas incluem medidas equivalentes a 1,2 ponto percentual dos gastos orçamentários nacionais e 0,3 ponto de financiamento da UE.
Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, alertou contra uma competição entre os países para produzir grandes pacotes de estímulo para suas economias.
¿ Nós não devemos entrar em uma corrida por bilhões ¿ disse.
Juros na China
O Banco Central da China cortou ontem as taxas de juros de empréstimos e depósitos em 1,08 ponto percentual, na quarta redução desde meados de setembro. Foi o maior corte desde outubro de 1997.
Com a medida, que influenciou positivamente o desempenho dos mercados no mundo, os custos para os empréstimos bancários de um ano passam de 6,66% para 5,58%.
A redução das taxas, de acordo com o BC chinês, entra em vigor na quinta-feira. Segundo a autoridade monetária, a redução visa a garantir liquidez suficiente no sistema bancário para o crescimento.
¿ Esse corte foi o ato mais agressivo do Banco do Povo em uma década, o que reflete a preocupação de Pequim com o risco crescente de uma deflação e de uma desaceleração ¿ disse o economista Qu Hongbin, do banco HSBC, em Hong Kong.