Título: Repercussão positiva no Congresso Nacional
Autor: Santos, Gilmara
Fonte: Jornal do Brasil, 03/12/2008, País, p. A6

Parlamentares receberam com animação a condenação do empresário Daniel Dantas na tarde de ontem. Para deputados e senadores, contudo, este foi só mais um capítulo da novela que se transformou os desdobramentos da operação Satiagraha, e muitos ainda virão, envolvendo principalmente as cortes superiores do país.

¿ A sentença é uma demonstração da seriedade do trabalho do delegado Protógenes, trabalho colocado em dúvida dentro da própria Polícia Federal ¿ comentou a deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que nos últimos dias promoveu uma série de demonstrações públicas de apoio ao delegado responsável pela investigação que deu base à condenação do banqueiro hoje. Genro também não poupou críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal no processo. ¿ É uma demonstração de que, nas instâncias de base, ainda existem juízes comprometidos com a verdade e a Justiça. Agora dez anos é muito pouco para Dantas. Vamos ver como o Supremo se comporta na questão. Não tenho dúvidas de que o juiz que acompanhou o caso desde o começo é quem está em condições de avaliar melhor o caso, como no caso do Fausto De Sanctis. O histórico do Supremo de livrar criminosos de colarinho branco preocupa.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é outro parlamentar que viu com bons olhos a sentença. Mas, a exemplo de Genro, o tucano não acredita que um desfecho definitivo para o caso ocorra tão cedo.

¿ A decisão não é surpresa, avanços estão ocorrendo nesta questão ¿ avaliou Dias, que também comentou a tensão existente entre De Sanctis e o STF. ¿ Agora é evidente que é uma sentença de primeira instância. Teremos muitos capítulos desta história ainda. É possível que conflitos possam ocorrer entre as várias instâncias da Justiça. Desde que ocorra tudo no terreno da normalidade e da legalidade não há problemas. Vamos torcer, agora, para que, devido à própria exposição do caso e a notoriedade dos fatos, o Judiciário tenha maior interesse e possa agir com velocidade.

O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) seguiu o mesmo tom dos colegas, ressaltando, no entanto, que pela própria tramitação do processo, e dos vários recursos disponíveis para a defesa do empresário, não espera que a questão chegue nem mesmo ao STF com rapidez.