O Globo, n.31987 , 05/03/2021. Sociedade p.11

 

Variantes já são maioria em pelo menos seis estados

05/03/2021

 

 

Estudo da Fiocruz mostra que mutações são responsáveis pela maior parte dos casos no RJ, CE, PR, SC, RS e PE

O Ceará e o Paraná tiveram, respectivamente, a maior prevalência dessas variantes, com 71% e 70% dos casos, respectivamente. Depois deles, estão Santa Catarina (63%), Rio de Janeiro (62%), Rio Grande do Sul (62%) e Pernambuco (50,8%).

Apenas Minas Gerais, com 30,3% das amostras testadas como positivo para a mutação, e Alagoas, com 42,6%, não têm a maior parte dos casos causados pelas novas variantes.

A pesquisa foi feita usando o novo teste de RT-PCR, desenvolvido pela Fiocruz Amazônia. Ele detecta a mutação comum em três das variantes (P1, identificada inicialmente no Amazonas; B.1.1.7, no Reino Unido; e B.1.351, na África do Sul), que são potencialmente mais transmissíveis.

A avaliação contou com o apoio do Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e da Coordenação Geral de laboratórios de Saúde Pública.

No final de janeiro, o infectologista Marcus Lacerda, da Fiocruz-AM, afirmou que a variante identificada inicialmente em Manaus já deveria prevalecer sobre outras em um mês no Brasil.

De maio a dezembro, os manauaras praticaram pouco isolamento social, sem que o vírus tenha se disseminado muito. A explosão de casos ocorrida em janeiro, que provocou um segundo colapso do sistema de saúde do município, e também do estado, coincidiu com a emergência do P.1, sugerindo uma ligação.

Agora, o restante do Brasil também apresenta recordes de mortes e está com o sistema à beira do colapso. A Fiocruz publicou na última terça-feira um boletim especial alertando que, pela primeira vez desde o início da pandemia, o país inteiro apresenta piora de indicadores da Covid-19.

Entre os aspectos analisados, estão o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de síndrome aguda respiratória grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais. Até então, a doença se apresentava em estágios diferentes nos estados.