Título: ANP vai licitar campos marginais
Autor: Lorenzi, Sabrina; Costa, Gabriel
Fonte: Jornal do Brasil, 10/12/2008, Economia, p. A19

Leilão de áreas com menor produtividade, em março de 2009, atrairá pequenos produtores

Gabriel Costa e Sabrina Lorenzi

Autoridades e empresários da indústria do petróleo participaram ontem de debate sobre a 10ª rodada de licitação de blocos para exploração de petróleo e gás natural, promovido pelo Jornal do Brasil e Gazeta Mercantil. O estímulo ao pequeno e ao médio produtor de petróleo, a retomada da exploração terrestre do insumo e a manutenção do atual modelo regulatório de concessões e royalties deram o tom da mesa redonda.

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, destacou, na abertura do evento, a existência de cerca de 3 mil poços em campos marginais no país que poderiam representar oportunidades para o produtor independente, uma vez que esses campos não apresentam tanto interesse para as grandes empresas.

Segundo Lima, no entanto, a 10ª rodada não envolve esses campos, e sim territórios mais adequados ao empresário médio. As áreas marginais ficam para a terceira "rodadinha" de áreas já exploradas que permanecem com algum petróleo, prevista para ser realizada em março de 2009.

Para o presidente do Conselho de Administração da Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), Nelson Tanure, a realização de licitação com áreas terrestres poderá, entre cinco e 10 anos, criar uma nova elite brasileira do petróleo.

O primeiro painel do evento contou com a participação de Nelson Narciso Filho, diretor da ANP; Álvaro Teixeira, secretário executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP) e Wagner Freire, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP).

Oferta maior que a demanda

Narciso Filho destacou a existência de cerca de 7,5 milhões de quilômetros quadrados com potencial de exploração no país,dos quais 5 milhões ficam em terra (on shore) e 2,5 milhões no mar (off shore). Segundo o diretor da ANP, a previsão é de que o país seja capaz de manter a oferta de petróleo acima da demanda em qualquer circunstância.

¿ O Brasil, em verdade, está competindo com o mundo inteiro em termos de investimento ¿ disse o diretor da ANP.

Álvaro Teixeira afirmou que, embora o IBP reúna os maiores exploradores do país, o instituto reconhece que existem oportunidades para todo o espectro de produção. Teixeira destacou, no entanto, que as pequenas empresas não devem começar já na exploração.

O presidente da ABPIP, Wagner Freire, disse que o atual cenário de baixa nos preços vai apresentar dificuldade para as empresas independentes, devido ao portifólio limitado desses produtores. Freire destacou ainda que descobertas em áreas pré-sal não são novidade no contexto mundial da indústria.

No segundo painel, o secretário extraordinário de Energias e Assuntos Internacionais do Rio Grande do Norte, Jean-Paul Prates, afirmou que a indústria do petróleo sempre superou os desafios tecnológicos e logísticos que surgiram, mas que isso só é possível com a injeção de recursos e investimentos.

Alfredo Renault, superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), chamou a atenção para o fato de que cerca de 25% dos planos de investimento para os próximos anos são provenientes de empresas "não-Petrobras". O representante da Onip lembrou ainda que a Bacia de Campos tem 19 campos em desenvolvimento.

¿ Campos já produz tanto que nós esquecemos o que ainda vem pela frente ¿ destacou Renault.

Riverton Mussi, prefeito de Macaé, município que recebe os royalties de uma indústria petrolífera que movimenta cerca de 50 mil empregos diretos e indiretos, apresentou os resultados sociais e de infra-estrutura da aplicação desses recursos na região.

¿ O crescimento decorrente da exploração de petróleo tornou Macaé uma cidade inviável pelo alto custo de vida, até que, 17 anos depois da chegada da Petrobras, chegaram os recursos dos royalties ¿ disse Mussi.

O moderador de ambos os painéis da mesa redonda foi Marcello D"Angelo, diretor de Conteúdo da Gazeta Mercantil.