Título: Copom mantém juros em 13,75%
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Fonte: Jornal do Brasil, 11/12/2008, Economia, p. A17

Decisão unânime do comitê decepciona indústria, mas mercado já esperava movimento

A redução dos juros ficou para 2009, apesar da crise mundial e da tendência de desaceleração da inflação no país. Na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu ontem, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada em 13,75% ao ano. Agora, os diretores do BC só voltam a se reunir nos dias 20 e 21 de janeiro do próximo ano.

Em comunicado divulgado depois da reunião, que durou quatro horas, o Comitê não só justificou a decisão, como também sinalizou a manutenção do viés ¿ o que, na prática, assegura a manutenção do atual patamar até a próxima reunião do Comitê:

"Tendo a maioria dos membros do comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu, por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento."

A nota ainda prossegue: "O comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir, tempestivamente, os próximos passos de sua estratégia de política monetária."

Os efeitos da crise internacional de crédito no Brasil não foram suficientes para convencer o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros. O BC, tampouco, decidiu atender ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros membros do governo, que queriam uma redução da Selic.

A decisão do BC já era esperada pela maioria dos analistas econômicos. No fim de novembro, o presidente da instituição, Henrique Meirelles, já tinha dito que o BC não iria se esquecer do combate à inflação, apesar da crise que ameaça o crescimento do país.

Neste ano, o BC realizou oito reuniões. Em janeiro e março, manteve a Selic em 11,25% ao ano. Em abril começou a subir os juros. Foram quatro aumentos, que fizeram a Selic chegar a 13,75% ao ano em setembro. Com a piora na crise, o BC optou por manter a taxa inalterada nas duas últimas reuniões de 2008.

Um dos fatores que influenciaram a decisão do BC foi a divulgação do crescimento de quase 7% no Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas produzidas no país) do terceiro trimestre. Com esse resultado, mesmo que o país não cresça nada no fim deste ano, já está assegurada uma expansão de 4,8% para este ano, próxima da previsão oficial do governo de até 5,5%.

PIB e inflação

Ontem, após a divulgação do PIB, Meirelles afirmou que os números do IBGE mostram que a desaceleração econômica do Brasil será mais curta e de menor intensidade que em outros países. Durante uma audiência de prestação de contas ao Congresso em novembro, Meirelles chegou a ser questionado sobre o fato de o Brasil manter a taxa de juros elevada em um momento em que as taxas caem nos países desenvolvidos.

Na época, o presidente do BC disse que o corte dos juros era um remédio para a crise que estava sendo adotado apenas nas economias ameaçadas pela recessão econômica, como EUA e União Européia. No Brasil, segundo Meirelles, não havia esse risco.

Nem mesmo a queda da inflação convenceu o BC a cortar os juros. O índice oficial medido pelo IBGE, o IPCA, recuou em novembro e deve fechar o ano dentro do limite da meta do governo, que é de até 6,5% (meta de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais). Também caíram as previsões do mercado financeiro para 2009, que espera uma inflação de 5,20%. O BC quer, no entanto, trazer a inflação para o centro da meta (4,5%).

O Copom se reúne a cada 45 dias, aproximadamente, em um total de oito reuniões por ano.