Título: Construção terá medidas de incentivo
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/12/2008, Economia, p. A19
Ministra Dilma diz que governo prepara dois programas para estimular empregos no setor
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, revelou ontem que o governo vai criar dois novos programas de infra-estrutura nas áreas de habitação e transportes, voltados para a população de baixa renda e para a Copa do Mundo de 2010. Dilma não adiantou detalhes dos projetos, porque disse que o governo ainda finaliza os estudos de implantação, mas a idéia é que saiam do papel a partir de 2009.
O primeiro programa, segundo Dilma, vai financiar a construção de casas populares para brasileiros que recebem até cinco salários mínimos.
¿ É um programa que está em gestação, um grande programa na área de construção civil na área de habitação para a população que ganha até cinco salários mínimos ¿ afirmou.
O governo também estuda outro programa que vai ampliar a infra-estrutura de transportes nas cidades brasileiras que devem sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014.
¿ Para sediar a Copa, tem que ter infra-estrutura, principalmente de transportes, para as pessoas terem acesso aos respectivos estádios. O governo vai fazer aquele processo de ver quais são os transportes de massa necessários ¿ afirmou.
A ministra disse que o objetivo do governo é deixar um legado para as cidades após a Copa.
¿ Aproveitamos a Copa, construímos a infra-estrutura, e deixamos um legado como foi feito em pequena proporção no Pan-Americano do Rio de Janeiro.
Segundo a ministra, o programa deve atender entre 10 e 12 cidades-sede da Copa, mas o governo ainda não tem estimativa dos gastos com a ampliação da rede de transportes nessas localidades.
Com relação à crise financeira mundial, a ministra disse que o governo federal não vai permitir que o pânico provocado pelos mercados interrompa o crescimento do país.
¿ Não vamos permitir que nós, o governo do presidente Lula, nós do PT, sejamos contaminados por esse medo, que é irmão gêmeo da ganância financeira e da especulação ¿ afirmou a ministra.
Crise mundial
Dilma disse que a instabilidade nos mercados externos é conseqüência do desespero pelo lucro e que o medo já trouxe impactos em todo o mundo. A ministra adotou discurso semelhante ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para defender que os brasileiros não interrompam o consumo em meio à crise.
¿ Temos clareza que, se não consumir, não tem produção. Sem produção, vai ter desemprego. E sem emprego, não tem consumo. É um ciclo vicioso ¿ afirmou.
Mesmo com a crise internacional, Dilma assegurou que o governo não apenas vai manter os investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como pretende incluir novas obras no programa. A ministra se mostrou otimista com o encontro do presidente Lula com empresários, realizado nesta quinta-feira, quando teriam sinalizado a disposição de manter os investimentos no país em meio à crise.
Dilma afirmou que as medidas econômicas anunciadas ontem pela equipe econômica foram uma "sinalização clara de que o governo vai utilizar todos os instrumentos para evitar que a desaceleração seja menor que o necessário".
A ministra disse que a redução de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e de Imposto de Produtos Industrializados (IPI) será imediata, enquanto a criação de duas novas alíquotas do Imposto de Renda para pessoas Físicas entrará em vigor em janeiro. Disse acreditar que a redução na alíquota do imposto de renda resultará em ganhos para a população de baixa renda.