Título: Mata Atlântica perde área de 990 Maracanãs
Autor: Abade, Luciana
Fonte: Jornal do Brasil, 17/12/2008, País, p. A4

Desmatamento no Rio de Janeiro dobra em três anos

Luciana Abade

BRASÍLIA

Cresceu consideravelmente o desmatamento da Mata Atlântica nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória nos últimos três anos. Juntas, as três regiões desmataram 793 hectares, área correspondente a 990 campos de futebol iguais ao do Maracanã. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e fazem parte do Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica que será lançado pelas duas instituições, na íntegra, em maio de 2009, trazendo um raios x dos 3.400 municípios abrangidos pelo bioma.

Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o desmatamento dobrou nos últimos três anos em comparação com os dados constatados entre 2000 e 2005. Foram 205 hectares contra 94 hectares relatados naquele período. Os municípios de Itaboraí e Nova Iguaçu são os mais críticos, com desmatamento em torno da Reserva Biológica do Tinguá. Na região metropolitana de Vitória foram devastados 150 hectares da mata nativa, sendo 86 hectares no município de Guarapari. A boa notícia é que, tanto no Rio quanto em Vitória, não foram identificadas alterações em áreas de mangue e restinga.

Campeã

A região metropolitana de São Paulo é a campeã de desmatamento em relação às outras duas regiões mencionadas. Nos últimos três anos foram devastados 437 hectares. Número nove vezes maior que o registrado no período de 2000 a 2005. No caso específico de São Paulo, preocupa o fato de quase metade da área devastada estar na região da Cantareira, responsável pelo abastecimento de água de 55% da população.

Segundo a diretora de gestão da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, os resultados sobre a supressão de florestas nativas são preocupantes porque afetam diretamente a qualidade de vida das pessoas que vivem nas regiões metropolitanas. Preocupa, também, a perspectiva da diretora de que o atlas, quando concluído, mostrará que a maioria do desflorestamento é ilegal.

¿ Essa pressão que a metrópole exerce precisa ser melhor controlada com políticas locais e mobilização da sociedade ¿ defende Márcia.

A divulgação dos dados dessas três regiões foi antecipada, segundo a diretora, para sensibilizar os novos dirigentes municipais para as questões ambientais. Além de alertar a sociedade, principal prejudicada, para a necessidade de combater o desmatamento.

No fim de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que regulamentou a Lei 11.428/06, conhecida como Lei da Mata Atlântica, aprovada pelo Congresso Nacional depois de 14 anos de tramitação. A lei define os critérios de uso e proteção do bioma, que está reduzido a 7,3% de sua vegetação original e estabelece incentivos econômicos à produção sustentável. Durante a assinatura do decreto, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou a meta de recuperar a vegetação passando de 7% de cobertura vegetal para 27%.

Para Márcia, ganhar uma lei específica foi uma sinalização de que a Mata Atlântica não está negligenciada em relação à Amazônia. Mas o fato de a região estar em áreas onde vivem 122 milhões de pessoas dificulta sua preservação.