Título: Israel é alvo de mísseis libaneses
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Fonte: Jornal do Brasil, 09/01/2009, Tema do Dia, p. A2

Nações Unidas suspendem a distribuição de ajuda humanitária em Gaza após ataque israelense ao seu comboio, que matou uma pessoa

Reuters

A tensão no norte de Israel se intensificou no começo da manhã de ontem quando pelo menos dois foguetes Katyusha disparados do sul do Líbano atingiram a cidade de Nahariya, e um terceiro atingiu o kibutz Matzuva, segundo o porta-voz da polícia israelense, Miki Rosenfeld. Do outro lado da fronteira, a Agência da ONU para Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA) suspendeu suas operações na Faixa de Gaza, em resposta à morte de um motorista de um de seus comboios na região, atacado por fogo israelense. Israel revidou com cinco mísseis os ataques vindos do Líbano.

Seu comando policial informou que seis pessoas tiveram de ser atendidas com crise nervosa. A imprensa local acrescentou que pelo menos uma pessoa foi ferida em um asilo de idosos em conseqüência de vidros quebrados durante as explosões. Estes foram os primeiros ataques entre Líbano e Israel desde a guerra israelense contra o Hezbollah, em 2006, aumentando o temor de que o conflito se amplie no mundo árabe. Desde a noite de quarta-feira, forças israelenses realizaram mais de 60 ataques a Gaza e o total de mortos já ultrapassa 770. Os militantes xiitas libaneses do Hezbollah negaram a autoria dos ataques, que não foram assumidos, até o momento, por nenhum grupo. ­

O Hezbollah nos assegurou que permanece comprometido com a estabilidade e o respeito da resolução 1.701 do Conselho de Segurança, e isso significa que não está envolvido ­ insistiu o ministro da Informação libanês, Tarek Mitri. A resolução 1.701 de 14 de agosto de 2006 garantiu o fim das hostilidades ­ mas não um cessar-fogo permanente entre o Hezbollah e Israel. O movimento xiita, considerado por Washington uma organização terrorista, multiplicou seus discursos de apoio ao movimento palestino desde o início da ofensiva na Faixa de Gaza, mas nunca mencionou apoio militar.

O ministro israelense Rafi Eitan acusou os palestinos que vivem no Líbano pelo lançamento dos foguetes, mas acrescentou acreditar que foram "incidentes isolados". Em contraste, o ataque de ontem ao comboio da UNRWA foi o terceiro desde que o Exército israelense iniciou sua ofensiva. Os caminhões foram alvejados pela artilharia de um tanque israelense por volta das 9h locais (5h de Brasília), apesar de terem sido "claramente identificados com a bandeira das Nações Unidas" e de seu percurso ter sido previamente "combinado com as Forças Armadas israelenses", denunciou o porta-voz da ONU, Francesc Claret. O jornal israelense Haaretz in formou ontem que, desde o início da operação, o Hamas tem executado pessoas suspeitas de colocar em risco a resistência palestina. Os alvos do Hamas seriam membros do grupo rival, o secular Fatah, segundo o jornal.

EUA

A futura administração do pre- sidente eleito Barack Obama pretende abandonar a política seguida pelo atual presidente Bush de isolar o Hamas, estabelecendo, em seu lugar, um canal de comunicação com a organização islâmica, segundo fontes próximas à equipe de transição. A estratégia de encorajar contatos com o movimento radical islâmico, que poderia ser concretizada através dos serviços de inteligência americanos, representaria um distanciamento significativo da política de repúdio ao grupo adotada pela atual administração.