Título: Alencar: BC tem que acatar ordem política
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 07/01/2009, País, p. A4

Presidente em exercício cobra baixa na taxa de juros

BRASÍLIA

Maior entusiasta dentro do governo pela baixa na taxa de juros do Banco Central, o presidente da República em exercício, José Alencar, aproveitou ontem a ausência de Lula e cobrou, mais uma vez, um compromisso do Comitê de Política Monetária (Copom) para reduzir a Selic e ajudar o setor produtivo a retomar o crescimento. Para o vice-presidente, "a questão é política e não técnica". ­ Olha, eu não tenho nada contra o Comitê de Política Monetária. Nós trabalhamos com o regime de metas de inflação. Mas, eu não quero discutir com o Copom porque essa não é uma questão técnica, é política ­ ponderou Alencar, durante uma rápida entrevista coletiva, concedida no fim da tarde, no Palácio do Planalto, para em seguida atacar. ­

E o que temos que fazer é dar uma ordem ao Banco Central para que pratique uma taxa de juros de mercado. Nem mais, nem menos. Alencar disse que não tem nada pessoal contra o presidente do BC, Henrique Meirelles, e que gosta do estilo de trabalho dele. Mas alfinetou: ­ Dizem que ele tem os méritos de conter a inflação. O Brasil vai bem apesar da política monetária, não graças à política monetária. Eu sempre disse isso, mas nunca escreveram dessa forma. Em oito anos, ela vai consumir mais de R$ 1,3 trilhão dos cofres públicos ­ criticou Alencar. O vice anunciou que vai parar de falar dos juros a partir de agora, porque "todo mundo já está reclamando" do seu discurso.

Candidatos

Na coletiva, José Alencar anun- ciou que o seu candidato à presidência do Senado é o senador Tião Viana (PT-AC) ­ que na segunda-feira lançou sua candidatura atacando o judiciário e o Executivo. Apontada como favorita do Planalto à sucessão presidencial, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ganhou elogios do vice. Alencar disse que ela tem sensibilidade social e perfil para ser presidente. ­ A ministra Dilma é um nome capaz de atender a qualquer cargo. Tem também uma sensibilidade social muito grande. Dilma também está em Brasília e despacha internamente no seu gabinete no Palácio do Planalto.