Título: Rio à espera do metrô de Dilma
Autor: Verly, Ana Paula; Migliaccio, Marcelo
Fonte: Jornal do Brasil, 14/01/2009, Cidade, p. A7

Ministra pode liberar R$ 4,7 bi para a Linha 4 e outras obras até o próximo dia 25, diz Pezão

Ana Paula Verly Marcelo Migliaccio

O trem do metrô que os habitantes do estado do Rio estavam esperando há anos finalmente apontou na estação e deve abrir suas portas, no mais tardar, no próximo dia 25. Com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como condutora, pode trazer recursos da ordem de R$ 4,7 bilhões para a construção da Linha 4 do metrô (Zona Sul-Barra), do Corredor T5 (Barra-Madureira-Penha), da ampliação da Via Light até a Linha Vermelha e da ligação metroviária entre Niterói e São Gonçalo.

Na segunda-feira, o vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão, apresentou o pacote de obras a Dilma. A liberação dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade Urbana, entretanto, só acontecerá depois de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciar, no dia 15, as cidades que irão sediar a Copa do Mundo de 2014. ­

- Vamos esperar a reunião da ministra com o ministro das Cidades, Márcio Fortes, para ver o que eles vão priorizar nesse momento. Ela achou importantíssimo o projeto da linha 4. A linha 3 já teve verba este ano. E, em relação à Via Light, a gente está começando a liberar um pedaço da emenda de bancada para iniciar o projeto ­ adiantou Pezão.

O governador Sérgio Cabral determinou que a Linha 4 saia do papel ainda este ano, com ajuda da iniciativa privada, mesmo sem os recursos federais. O vice-governador explicou que o presidente Lula "tem falado" que vai lançar um pacote de obras até 20 de janeiro, e que a liberação dos recursos depende de reuniões e da escolha das cidades que vão sediar as chaves da Copa do Mundo. ­

- Não tem nada garantido. A Via Light acredito que deva sair de uma emenda de orçamento. Está prometido. São cerca de R$ 20 milhões. A Linha 4 e a Via Light têm a simpatia do governo federal ­ diz, esperançoso, Pezão.

Os dois projetos somam R$ 3,1 bilhões, sendo R$ 2,7 bilhões para a Linha 4 e R$ 400 milhões para a Via Light .

Problemas Responsável pela construção do metrô do Rio nos anos 70 e 80, o engenheiro especialista em trânsito Fernando MacDowell diz que o problema em relação à Linha 4 é a tarifa. ­

- A previsão de participação da iniciativa privada no projeto é grande e isso acaba elevando o preço.

Depois de elogiar a extensão da Via Light (Nova Iguaçu-Anchieta) até a Avenida Brasil, com alça de acesso à Linha Vermelha, MacDowell faz uma ressalva em relação ao Corredor T5: ­

- Esse sistema foi pensado para veículo leve sobre trilhos como o que existe em Porto Alegre. Se for feito com ônibus, a tarifa será alta ou então vão ter que subsidiar. É bom lembrar que 3 milhões de pessoas hoje andam a pé no Rio por falta de dinheiro para pagar a passagem.

Ele ressalta ainda outro ponto a ser visto no projeto do corredor. ­

- Deveria haver uma integração com a linha 2 do metrô na Zona Norte, mas, ao que parece, não há planos de ampliar o número de trens naquele trecho.