Título: PNUD: falhas na cobertura de áreas importantes
Autor: Abade, Karla CorreiaLuciana
Fonte: Jornal do Brasil, 18/01/2009, País, p. A11

O peso dos programas sociais do governo na ascensão social das classes D e E e no fortalecimento da classe média ¿ um dos motores da economia brasileira, em tempos de crise ¿ é praticamente unanimidade entre economistas e estudiosos de políticas públicas. Seus efeitos nos índices de desenvolvimento do país, nem tanto. Apesar do Brasil ter galgado para a 70ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e, com isso, ter entrado no grupo de países considerados desenvolvidos, a mudança de status do país tem se mostrado lenta, observa o coordenador do IDH no Brasil e especialista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Flávio Comim.

¿ A ênfase no crescimento da renda como índice de desenvolvimento social não está incorreta, ela é apenas incompleta ¿ avalia Comim. Segundo o especialista, o governo falhou na cobertura de áreas, como saneamento básico ou atenção à saúde infantil, fundamentais na avaliação do que é considerado desenvolvimento em um país. ¿ E desenvolvimento não é apenas permitir que o pobre compre uma geladeira, é garantir a autonomia dessas pessoas.

Porta de saída

A secretária substituta de Renda e Cidadania do MDS, Camile Mesquita, observa que, desde a implementação do Bolsa-Família, 2,4 milhões de famílias tiveram seu benefício cancelado pelo governo. Nesse universo, 1,5 milhão saíram do programa por terem conquistado renda per capita superior ao público alvo do Bolsa Família. E 45 mil famílias abriram mão voluntariamente do subsídio mensal.

¿ Diante desses dados, é patente a influência do programa na diminuição da desigualdade social

e na manutenção do nível de consumo na economia ¿ analisa.

Helena Pereira, 65 anos, compra gás, verduras, "o cafezinho" e paga a conta de água de seu barraco no Varjão (DF) com os R$ 100 que recebe do Bolsa Família. O restante do orçamento da casa vem da aposentadoria do marido, Ermírio Gomes de Oliveira, 67 anos, aposentado. Ex-ajudante de pedreiro, Oliveira ainda precisa fazer bicos para completar a renda familiar. O casal está à espera da aposentadoria de Helena, que até os 55 anos trabalhou como empregada doméstica.

¿ Do jeito que a gente vive, tudo o que entrar por essa porta é bem vindo ¿ diz Helena. ¿ Mas podia melhorar. A gente vive muito espremido com esse dinheiro.