Valor Econômico, n. 5206, v.21, 12/03/2021. Política, p.A13
Pesquisa mostra Bolsonaro cinco pontos à frente de Lula
Avaliação do trabalho presidencial como ruim ou péssimo chega as 57%
Por Ricardo Mendonça — São Paulo
O presidente Jair Bolsonaro aparece como líder isolado nas simulações de primeiro turno da eleição presidencial em pesquisa da consultoria Atlas feita entre 8 e 10 de março. O mesmo levantamento, porém, mostra o presidente atrás de alguns rivais nos testes de segundo turno, resultados que combinam com a tendência declinante de aprovação de seu governo.
No cenário de primeiro turno em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é apresentado como o candidato do PT, Bolsonaro marca 32,7% ante 27,4% do petista. Uma diferença acima da margem de erro, de dois pontos.
Nessa simulação, nenhum dos outros dez nomes testados alcança 10%. O ex-juiz Sergio Moro (sem partido) tem 9,7%, uma situação de empate técnico com os 7,5% de Ciro Gomes (PDT). O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) alcança 4,3%, a mesma taxa do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Luciano Huck (sem partido), João Amoêdo (Novo), Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (Psol), Flávio Dino (PCdoB) e Alexandre Kalil (PSD) somam 8,1%.
O Atlas também simulou primeiro turno com o ex-prefeito Fernando Haddad como candidato do PT. Neste caso, Bolsonaro recua 0,4 ponto (fica com 32,3%), mas sua vantagem em relação ao segundo colocado, Haddad, aumenta, pois o petista marca 15,7%, bem menos do que Lula.
Nesse segundo cenário, crescem as taxas de todos os demais
concorrentes, exceto Marina, que continua com 1,3%. Ciro aparece em terceiro lugar, com 11,6%; seguido de Moro, 10,4%; Doria, 5,3%; e Mandetta, 5,2%. Os outros na sequência somam 12,6%.
Nas oito simulações de segundo turno feitas pela consultoria, Bolsonaro perde para três adversários: Lula, Ciro e Mandetta. Além disso, fica numericamente atrás de Haddad, numa situação de empate técnico.
Numa disputa final Bolsonaro versus Lula, o petista marca 44,9% ante 38,8% do atual presidente. Contra Ciro, Bolsonaro perde por 44,7% a 37,5%. Contra Mandetta, a diferença é ainda mais ampla, 46,6% a 36,9%.
Haddad, que perdeu segundo turno para Bolsonaro em 2018, marca agora mais pontos que Bolsonaro na simulação que repete aquele embate. A diferença, nesse caso, ocorre dentro dos limites da margem de erro: 43% a 39,4% a favor do petista.
A mesma pesquisa detectou queda na avaliação do governo Bolsonaro. O percentual de brasileiros que classificam o trabalho do presidente como ruim ou péssimo avançou para 57%. É o pico de uma escalada que começou em novembro do ano passado, quando a taxa era de 46%. Em janeiro, a marca apurada foi 53%.
A atual taxa de avaliação negativa do governo Bolsonaro é apenas um ponto inferior à pior marca obtida por ele na série de levantamentos da empresa. A pior marca foi em maio do ano passado, com 58% de avaliação ruim ou péssima.
A avaliação positiva (soma dos que classificam o governo como bom ou ótimo) vai na contramão. Desde novembro, apresenta trajetória declinante: 31% na última pesquisa de 2020, 28% em janeiro, 25% agora. Outros 18% julgam a gestão como regular.Realizada com coleta de dados via sistema on-line, a Atlas reuniu opiniões de 3.721 pessoas.