Título: Demanda supera oferta de profissionais
Autor: Bruno Rosa
Fonte: Jornal do Brasil, 13/02/2005, Economia, p. A17

A demanda por novos executivos tem sido tão elevada que o próprio mercado não consegue oferecer profissionais em número suficiente para preencher as vagas abertas. Aroldo Reginaldo Levy Neto, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec), recebe ligações, desde o segundo semestre do ano passado, de companhias pedindo indicações de profissionais para atuação na área de administração de recursos.

- Faltam executivos no mercado. O crescimento da economia e os esforços da Bovespa estão incentivando os investimentos. Acho que ainda vai levar algum tempo para que haja executivos necessários para atender a demanda - afirma Levy.

Os dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) evidenciam o aquecimento do mercado de capitais. Além de sete novas empresas terem lançado ações no ano passado, o que exigiu o recrutamento de equipes de especialistas, o número de clubes de investimentos - um dos pilares do projeto de popularização - saltou de 349 para 623.

- Em 2004, a economia cresceu, o que levou muitas pessoas físicas a investirem seu dinheiro no mercado de capitais, assim como muitas companhias. Dos 60 profissionais, ex-operadores do pregão, que disponibilizamos para os clubes de investimentos, metade foi contratada por corretoras - endossa José Roberto Mubarack, assessor de relações institucionais da Bovespa.

Mas, pelos dados da consultoria Fesa, não são apenas os executivos ligados ao mercado financeiro que têm o que comemorar. A indústria também voltou a contratar mais profissionais qualificados. A alta é de 30% em relação a 2003. A procura maior foi por especialistas da área de logística, principalmente em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Outro destaque é o setor de tecnologia, em especial nas áreas de marketing e vendas, com crescimento de 20%.

- Diferentemente de anos anteriores, em que apenas um setor se destacava, em 2004 a procura aumentou em vários segmentos. Em telefonia, há dois anos, por exemplo, só havia demissões - diz Marina Vergili, da Fesa.

Para 2005, a consultoria prevê que o ciclo de contratações de executivos se manterá aquecido nessas áreas. A agroindústria, no entanto, tem mantido o nível de contratação estável há dois anos, assim como as empresas de consumo não-durável.

Mas a euforia das contratações não tem se refletido no nível salarial, de acordo com Marina. Isso, segundo ela, prejudica o poder de compra desses executivos, já que a inflação, mesmo sob controle, continua aumentando.

- Não há como aumentar o salário de forma significativa porque as empresas sofrem com a alta taxação de impostos e com os aumentos sucessivos da taxa básica de juros (a Selic, hoje, em 18,25% ao ano), o que prejudica o lucro líquido das empresas - afirma.