Título: Nova Opep do gás assusta a Europa
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Fonte: Jornal do Brasil, 24/12/2008, Economia, p. A17
Reunião presidida por Vladimir Putin deverá formalizar a criação de novo cartel de produtores
A possibilidade de criação de um cartel de produtores mundiais de gás natural ¿ uma espécie de Opep do gás ¿, prevista para hoje, em Moscou, já começa a assustar os principais consumidores globais do insumo, principalmente na União Européia. A "Opep do gás" será criada com base em um grupo informal chamado Fórum dos Países Exportadores de Gás (FPEG), que inclui 16 Estados, entre os quais Rússia, Argélia, Irã, Catar, Venezuela, Indonésia e Nigéria.
Apesar dos temores, os ministros de Energia de 12 países exportadores de gás, que viajaram ontem à capital russa para criar o grupo, fazem questão de reduzir os temores. Argumentam que a formação do grupo não visa a controlar a produção nem os preços do produto.
As nações consumidoras ocidentais, preocupadas com a possibilidade de controle dos preços, estão prestando atenção no encontro, que será chefiado pelo primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, e apoiado pelo presidente, Dmitry Medvedev, que ofereceu ontem um jantar no Kremlin. Os membros do fórum dizem que o objetivo principal do novo grupo é monitorar o mercado de gás e conduzir pesquisas conjuntas.
¿ Uma colaboração mais formal sempre fez parte dos nossos planos ¿ disse o ministro nigeriano do Petróleo, Odein Ajumogobia. ¿ O estado do desenvolvimento do gás é muito diferente do petróleo. Com o petróleo, você tem um preço internacional. Com o gás, você tem um preço doméstico, um preço internacional, outro de exportação.
Baixa do WTI
Autoridades russas disseram que os ministros vão elaborar uma carta que tornará a FPEG uma organização formal com sede na segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo. O grupo manterá o mesmo nome, no entanto.
A empresa russa Gazprom, maior produtora de gás do mundo, responsável pelo abastecimento de um quarto das necessidades de gás da Europa, assinou um contrato neste ano com o Irã e o Catar, acertando o que chamou de um "enorme triunvirato do gás" para coordenar as políticas do mercado, mas negando tentativa de influenciar os preços.
A Rússia, que também é a segunda maior exportadora de petróleo do mundo, disse considerar todas as opções, inclusive juntar-se à Opep, para defender seus interesses nacionais. Mas não ofereceu cortes de produção ou negócios especiais para a Opep em uma reunião da entidade na Argélia, na semana passada.
Os contratos futuros do petróleo fecharam em baixa ontem na bolsa de Nova York, com as cotações refletindo o peso de preocupações sobre a demanda em queda em uma economia enfraquecida.
Na Nymex, a bolsa de futuros americana, o contrato para fevereiro caiu US$ 0,93, ou 2,33%, para fechar a US$ 38,98 o barril.
Ao longo do dia de ontem, o mercado mundial permaneceu volátil, com os ganhos iniciais por conta do enfraquecimento do dólar se evaporando em meio a dados econômicos frustrantes ¿ principalmente dos Estados Unidos. Indicadores do mercado americano mantiveram temores sobre uma brusca diminuição da demanda na economia em recessão.